“Achava que no Brasil não tinha como ser escritor”

Publicado por Redação em . Na categoria Entrevistas

25-07 davi medeiros - escritor itapeviense

Quando criança, Davi Medeiros brincava que quando crescesse escreveria um livro. Aos 15 anos, ele já conseguiu, e lança sua segunda obra: ‘Pop Star – Uma História de Amor e Fama’, Chiado Editora. Ele começou a escrever quando viveu na Argentina, com sua mãe e sua irmã, em 2011. Depois de retornar, decidiu levar a sério a escrita.  Estudante do 2º ano do ensino médio em Itapevi, Davi vai participar da 23ª Bienal do Livro de São Paulo [entre 22 e 31 de agosto]. Nesta entrevista, ele conta um pouco sobre começou a escrever e a expectativa  com a Bienal.

Como pensou em escrever ‘Pop Star – Uma História de Amor e Fama’?
Na verdade foi bem simples. Já tinha escrito o primeiro livro ‘Operação Mico Leão’, mas não tinha sido publicado por uma editora ainda. Num passeio de carro com meus pais, falei que queria escrever alguma coisa que as editoras aceitassem. Aí meus pais comentaram sobre o Silvio Santos, que tinha sido sequestrado, e pensei em escrever sobre gente famosa. E pensei nessa história da Pop Star, que vai disfarçada para o colégio para conseguir estudar. Comecei a escrever e a história foi virando.

Por que ela se disfarça?
A sinopse do livro é sobre uma menina que é cantora e, como não pode estudar [por ser famosa], sempre tem professores particulares. Daí ela conheceu um colégio e se disfarça de menino para conseguir estudar.

Quando surgiu o convite para a Bienal do Livro?
Depois que consegui publicar o ‘Operação Mico leão’, fiz amizade com uma paraibana que tem um projeto muito legal que se chama ‘Divulga Escritor’. Ela me entrevistou e a gente ficou amigo. Depois de alguns meses, ela estava organizando novos escritores para participarem da Bienal e me chamou.

Qual a sensação de participar?
Sinto um frio na barriga, pois vai ter um monte de escritores que eu sempre gostei, sou fã e vou estar no meio deles pela primeira vez.

Quais escritores têm como referência?
Como referência nacional, tenho vários escritores: Arisson Tavares, Tammy Luciano, gosto muito da Clarice Lispector e do Moacyr Scliar, Lycia Barros, Carolina Estrella. Com o Arisson Tavares, eu fiz amizade e ele fez o prefácio do meu livro.

De que forma a vida na Argentina te ajudou a decidir contar histórias?
Quando eu fui morar na Argentina [em 2011], eu me senti muito sozinho, porque era tudo em espanhol e não tinha amigos. Morava numa cidade bem pequena [Santo Tomé], e comecei a escrever para me realizar com o português e não me sentir tão sozinho. Eu estudava numa escola bem pequena, e comecei a escrever um livro sobre uma escola grande, numa cidade maravilhosa no Brasil. E gostei tanto que senti essa necessidade de escrever.

E o que ocorreu na volta?
Quando voltei e comecei a estudar, gostava de escrever, mas nunca tinha terminado um livro de verdade. E a minha professora de Português deu o maior apoio. Tanto que ela gostou e falou para eu tentar publicar a ‘Operação Mico Leão’.

Antes da Argentina já pensava em ser escritor?
Aprendi a escrever com quatro anos. Antes, eu vivia falando quando crescer vou escrever um livro. [Fiz] uma historinha de duas páginas. Mas falava brincando, porque achava que no Brasil não tinha como ser escritor. Mas vi que tem como.

Por que é difícil?
Aqui a gente dá muita preferência para o que é de fora. Na livraria, o que faz sucesso é sempre livro estrangeiro. É difícil escritor brasileiro fazer sucesso. Um escritor brasileiro que faz sucesso é o Paulo Coelho, mas tem muitos que ninguém conhece. Porque você chega na livraria, tem um monte de livro estrangeiro para poucos brasileiros.

Tem trabalho em outros livros?
Eu estou trabalhando em três livros, porque eu começo, mas nem sempre eu termino. Pretendo publicar mais livros sim.