Lula e os tijolos

Por Elioenai Piovezan
A revista alemã Der Spiegel publicou nesta semana uma reportagem sobre o presidente Lula, em que o chama de “pai dos pobres” e narra o verdadeiro “milagre econômico” por qual passa o Brasil nos últimos anos. O texto também não deixa de mencionar o filme “Lula, o filho do Brasil“, de Fábio Barreto, baseado no livro homônimo de Denise Paraná, que aborda a vida da família Silva e a trajetória do jovem Lula até sua consolidação como liderança sindical, vislumbrando a criação de um partido diferente e que representasse a classe trabalhadora.
Se os mais de 80% de aprovação de seu governo não bastassem, Lula tem ainda a admiração e o respeito de lideranças e da comunidade internacional. Um de seus segredos: fazer o contrário do que fariam os tucanos se estivessem governando o País. Exemplos claros? Privatizações, pedágios, descaso e autoritarismo no tratamento com os funcionários públicos, com leis e decretos nocivos; autoritarismo com os deputados na Assembleia Legislativa, com arquivamento de CPIs; e autoritarismo com a sociedade, como ficou evidente na Conferência Estadual de Cultura, na última quinta-feira (quando a mesa dirigente simplesmente atropelou a participação dos quase mil delegados eleitos em seus municípios, causando indignação e vergonha aos ativistas de cultura e representantes de prefeituras).
Lula construiu o PT e se tornou seu líder máximo. E mais do que isso: provou que para ser um bom presidente não precisava ter saído dos bancos universitários de Sociologia e congêneres (com louros e canapés). Provou que com sensibilidade e visão política é possível distribuir renda e criar condições para estar entre os países mais desenvolvidos do mundo.
Hoje, é graças a Lula que o Brasil compõe e lidera o grupo Bric, sigla que carrega as iniciais dos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China. E, curiosamente, a palavra Bric, lembra “brick” cujo significado em inglês é tijolo. E é com tijolos que tradicionalmente construímos casas ou conotamos a construção e a consolidação de um projeto.
O Brasil de tijolos, assentado um a um, num desenho mágico, serve para lembrar que o operário sempre está em construção, seu processo pode ser vagaroso, mas um dia ele aprende a dizer não e passa a construir junto um país, uma nação. E cada um de nós que acredita no Brasil traz esse operário dentro de si, dizendo não ao autoritarismo e às injustiças, e assentando, junto com o presidente-operário, dia após dia, mais um tijolinho de nossa casa, de nosso lar.

