Pena de morte

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.” (Mateus 7:1-2)

 

 

Com esses versículos, o padre tenta dissuadir Frank Castle (filme “O Justiceiro – Zona de Guerra”, de Lexi Alexander) de continuar seu plano de vingança contra os mafiosos da cidade. O nome “justiceiro” pressupõe que ele faz justiça ao executar criminosos que geralmente são presos e libertados por falta de provas. Como o Poder Judiciário é falho, o “herói” (será mesmo?) interpretado por Ray Stevenson entra em ação para simplesmente executar os bandidos. Não há perdão, o tiro é sempre direto, decapitando ou explodindo cabeças… Aos versículos do padre, Castle apenas diz: “Por mim tudo bem”. O sacerdote devolve: “Deus te acompanhe, Frank” e este responde: “Às vezes eu gostaria de me encontrar com Deus”.

Já no filme “Valente” (de Neil Jordan), a radialista Erica Bain (Jodie Foster), após ser vítima de violência, inicia sua vingança, com uma série de execuções pelas ruas de Nova York. Ela vive um conflito de valores éticos e morais ao trilhar na contramão de tudo aquilo em que acredita.

Mas, tanto Castle quanto Erica refletem um desejo oculto que existe na sociedade: a justiça a “qualquer preço” ou adoção da pena de morte O cinema, por sua vez, como instrumento da mídia cumpre um papel de moldar pensamentos, podendo influenciar para o bem ou para o mal. E como a maioria dos filmes exibidos no Brasil são hollywoodianos, prevalece a visão norte-americana sobre o tema.

Isso é compreensível, já que os EUA são uma das poucas democracias no mundo, como o Japão, que ainda adotam a pena de morte. Dos 50 Estados norte-americanos, 36 têm a pena de morte prevista em lei, mas nem todos a adotam. Entre 1973 e 2002, 7.254 sentenças de morte foram realizadas, levando a 820 execuções, 3.557 prisioneiros esperando para serem executados, 268 morreram de causas naturais ou suicidaram-se enquanto esperavam pela execução.

Os países que adotam a pena de morte são geralmente governados por monarcas ou ditadores, como na África, no Oriente Médio e na Ásia. No Brasil, ela foi abolida com a Proclamação da República, em 1889, e é legalizada apenas para crimes cometidos em tempo de guerra. A última execução de que se tem notícia foi a de José Pereira de Sousa, enforcado em 30 de outubro de 1861.

A radialista Erica conclui sua vingança e tenta voltar a uma vida normal. O justiceiro Castle não consegue parar. Ambos têm a complacência de policiais, que fazem vistas grossas e acabam “absolvendo” os dois personagens pelas mortes cometidas. Assim a arte segue imitando a vida para que a vida imite a arte, num delicado círculo vicioso que se perde na incompetência do Estado em garantir segurança e justiça para todos.

Por Elioenai Piovezan - jornalista e professor

Blog: http://sopaprimordial.blog.terra.com.br

 

1 Comentário

  1. Guilherme disse:

    Viva a PENA DE MORTE, pois graças a ela, em países como EUA , o bandido só comete crimes até ser pego! Bem o oposto dessa justiça do Brasil, onde vagabundos que matam 40 , quando não continuam nas ruas espalhando o terror, são sustentados pelo estado, e debocham das familias das vitimas…

Comentários