Era uma vez uma menina

Elioenai Piovezan
Cabulava aula para ir ao circo, não para assistir ao espetáculo, mas para fazer parte dele com acrobacias junto com uma amiguinha. As estripulias daquela menina eram muitas e infindáveis. Geniozinho difícil, falava de forma gesticulada e às vezes ameaçadora. E o tempo moldava pacientemente aquela criaturinha.
Já moça, envolve-se na política estudantil e ajuda a fundar uma entidade municipal. Torna-se da noite para o dia uma liderança entre os estudantes. Vai representar Itapevi em congressos estaduais e nacionais, luta para formar grêmios livres nas escolas e investe para formar novas lideranças que a substituíssem (até porque ninguém fica toda vida estudante secundarista).
Conclui o ensino médio e então se torna mãe. Adiando o projeto de fazer uma faculdade, a jovem mulher procura manter um emprego para se estabilizar já que agora tinha sua própria família.
Em meio a turbulências e adversidades da vida, ainda encontrava um tempo para participar da vida política, em atos públicos ou eleições presidenciais, pois sabia da importância de eleger um presidente que invertesse as prioridades sociais e olhasse com carinho para os pobres.
Enquanto isso, não desiste de seus sonhos. E como que em atendimento a alguma prece inconsciente, Lula é eleito presidente da República, ampliando e aprofundando o acesso e a permanência de milhares de jovens nas universidades.
Ela, que sempre batalhou pelos seus ideais, não perdeu tempo. Fez a prova do ENEM, obtendo boa nota e com a bolsa totalmente gratuita do ProUni, começou a cursar Comunicação e Multimeios, na PUC de São Paulo.
Nos últimos anos, pude acompanhar sua dedicação e perseverança. Sei que por muito menos, outros em seu lugar teriam desistido, tamanha era a dificuldade por conta do desemprego e da distância.
Mas a mulher seguiu adiante. E, nesta semana, aquela menina sapequinha, que pode ter até ocasionado alguns cabelos brancos neste colunista, me conta que tirou 10 em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), na defesa perante a banca, provando a todos e, principalmente, até a mais cética das criaturas, que as pessoas são capazes desde que lhes deem oportunidade.
Não vou negar que escrevo estas linhas com lágrimas nos olhos, de orgulho e felicidade. E torço para que ela conquiste agora outro patamar da vida, que é o da realização profissional.
Parabéns, Cinthia!





Caro Eli. Conheço também aquela meninha, congratrulações a ela por suas conquistas e que o futuro seja brilhante.