Olimpíada do inferno

Luiz Sanches

Luiz Sanches

As cenas não são do Legislativo de Itapevi, mas da política nacional. E por se constituírem em atos muito fortes de uma corrupção sem limites, que envolve o Governador de Brasília e a Câmara Legislativa da Capital Federal, sensibilizou-me profundamente e foi o que me inspirou a escrever esta crônica.

Os rumores de tantas maledicências aqui da terra rapidamente chegaram ao conhecimento do diabo que, entusiasmado, não pensou muito para criar uma olimpíada no Inferno com o objetivo de premiar os maiores causadores de infortúnio e desgraça da humanidade; o senhor das trevas obtivera esse direito mediante seu forte poder de persuasão junto ao grandioso e supremo Criador que, também por sua vez, queria ver até onde chegava o grau da maldade humana desde que o homem descobriu os seus dois lados – do bem do mal – mas que, por ignorância, vaidade ou estupidez, sem saber se utilizar do livre arbítrio, optou pelo pior.

O critério de julgamento para a seleção e distribuição de medalhas seria o mais simples e direto possível, não havendo necessidade de os países enviarem seus representantes, porquanto no Inferno já se encontram catalogados os protótipos malignos de todos os países; e, isto, sem contar o registro diário dos crimes e de toda espécie de falcatrua que lá chegam a todo momento através da mais sofisticada e moderna tecnologia de comunicação. Para facilitar a avaliação não se considerariam os deslizes relacionados ao primeiro e grande mandamento (”Amarás o Senhor teu DEUS, de todo o teu coração e de toda tua alma, e de todo o teu pensamento”) por entender o diabo que essa importante norma divina cabe somente às religiões na interpretação das mais variadas formas de adoração (idolatria, uso do seu nome em vão, etc.), ficando para serem apreciados apenas os crimes que vão de encontro ao segundo grande mandamento (”amarás o teu próximo como a ti mesmo”). Assim, seriam tomados como base os assaltos, os assassinatos, os sequestros, os estelionatos; os crimes de funcionários e agentes do Poder Público: como peculato, extorsão, corrupção, malversação do dinheiro público. Não se levaria em conta também o genocídio e os crimes de lesa-pátria!

E sem nenhuma surpresa, no encerramento da primeira olimpíada do Inferno, com base no elevado grau de maldade dos acontecimentos políticos de Brasília, amplamente divulgados pela nossa gloriosa IMPRENSA, o Brasil foi MEDALHA DE OURO na modalidade CORRUPÇÃO!

 

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