Lula o Filho do Brasil

O filme retrata desde a infância de Lula até a década de 80, época da vida do Presidente pouco conhecida do público
O ator Rui Ricardo Diaz dava aulas de teatro em Barueri quando fez o teste para integrar o elenco do filme “Lula o Filho do Brasil”, que estreia nos cinemas em 1º de janeiro. Depois de meses de filmagem, ele falou em coletiva de imprensa sobre a emoção de interpretar a vida de Luiz Inácio Lula da Silva.
Como você reagiu à convocação inesperada de fazer um teste para o papel de Lula?
Foi, de fato, uma surpresa. Eu tinha feito um teste para outro personagem, um sindicalista amigo do Lula. Fiquei chateado quando não deu certo, mas o diretor Fábio [Barreto] viu e me chamou para fazer um teste para o papel de Lula. Recebi um vasto material – sete dvds, discursos, textos. Fiquei um fim de semana mergulhado naquele universo. O teste definitivo, um discurso, foi muito especial. Eu queria demais o papel e dei o melhor de mim. Contar a história de um homem como o Lula vale a pena, porque é uma história de luta, de persistência. É a história de todos os brasileiros.
Você tem formação teatral. Fazer cinema estava nos seus planos?
Sem dúvida. Antes de qualquer coisa a gente aprende a ver cinema. Eu queria muito trabalhar em cinema, mas nunca pensei que pudesse estrear dessa forma, logo com o Lula. É um desafio muito grande. A primeira coisa que tentei fazer foi não pensar na dimensão do personagem, me concentrar em contar uma parte da sua história, que vai até 1980, e que é pouco conhecida. Assim tive a oportunidade de trabalhar tranqüilo.
Como você se aproximou do personagem?
Desde o início, o Fábio foi muito claro e firme: não queria uma imitação, uma caricatura de Lula, mas a emoção - o que é muito mais difícil. Essa era a maior preocupação do Fabio e a minha também, mais do que buscar a voz exata, eu tinha que encontrar o olhar, construir um personagem verdadeiro, sem exagerar. E para isso, eu tinha que ser sincero. O tempo todo, nós buscamos uma unidade que demonstrasse uma continuidade, não apenas física, mas emocional. Essa preocupação foi tão grande, que fui ao Nordeste assistir ao início das filmagens, que mostram a partida do pai, o nascimento de Lula, até o embarque da família no pau-de-arara. Obviamente, eu não aparecia nessas cenas, mas tanto o Fabio como a produção acharam essencial que eu conhecesse os lugares de onde saiu não só meu personagem mas toda a família - era importante sentir a atmosfera da região. Conversei com primos, parentes, vizinhos, ouvi histórias maravilhosas, prestava atenção no jeito de falar e de ser daquelas pessoas. Um dia, durante as filmagens, arrumei uma bicicleta e resolvi explorar a região, e cheguei ao lugar onde o Lula nasceu. Fiquei ali, sozinho, parado, olhando aquela paisagem, pensando, foi aqui que tudo começou. Foi uma experiência muito forte.
Durante o processo, qual a cena ou as cenas mais difíceis? Como foi fazer o discurso no Estádio da Vila Euclides?
Falar de cenas difíceis neste trabalho também não é fácil: muitas foram emocionalmente intensas. Entre elas a perda do dedo, a morte da Dona Lindu, os discursos… Mas acho que a mais carregada de emoção e que me exigiu bastante concentração, foi a perda da primeira esposa e do filho. O Lula era ainda muito jovem e sonhava em construir uma família com a Lurdes. Para qualquer pessoa, uma perda dessas pode significar o fim de muitos outros sonhos, mas mais uma vez Lula dá, após um período de longos meses e a duras penas, a volta por cima. É um camarada de muita força.
O discurso da Vila Euclides também foi incrível: ter visto aqueles vídeos, aquele momento único, poder rememorar fatos que eu não vivi, lembranças de um período tão importante para a história desse país. E poder fazer parte dessa reconstituição e levar a pessoas que, como eu, não viveram aquele acontecimento, é algo que poucos adjetivos podem explicar.

