O político

Luiz Sanches
Contar os fatos sem falar o nome do personagem é uma das características desta coluna! Mas, certamente, depois de dizer alguma coisa sobre a trajetória histórica deste homem, os mais antigos saberão de quem se trata. Um POLÍTICO que, num período de treze anos (1.947 a 1.960) conseguiu eleger-se, praticamente, para todos os cargos (apenas não concorreu para o Senado). Sua carreira se iniciou como vereador pela Capital, depois Deputado Estadual por dois anos, cargo que abandonou para ser Governador do Estado, aliás, o único que exerceu até o final. Em seguida, elegeu-se Deputado Federal pelo Estado do Paraná, não tendo assumido por ter-se candidatado a Presidente da República, cargo para o qual foi eleito com uma votação estrondosa, na época, quase seis milhões de votos. Permaneceu como Chefe da Nação pouco mais de sete meses, quando renunciou…
Porém, o assunto central aqui não é a História do Brasil. Tudo isto já está meticulosamente registrado nas nossas enciclopédias, nos livros escolares e na própria Internet. Interessa-nos a outra característica desta coluna – a mais importante e que justifica a sua criação: ressaltar o lado irônico de políticos; e é exatamente sobre isso que se deseja falar. O curioso deste político e que chamava atenção era o seu relacionamento com a imprensa quanto às entrevistas. Viciado em bebida alcoólica, é dele a frase em resposta a uma pergunta sobre o motivo de beber e que se tornou famosa: “Bebo, porque é líquido, se fosse sólido, comê-lo-ia”! Quando eleito prefeito da Capital, no seu retorno à política muito tempo depois da renúncia ao cargo de Presidente da República, ao tomar posse, chegou a desinfetar a cadeira de Prefeito, porque num dia anterior às eleições, o seu adversário, apontado pelas pesquisas em primeiro lugar, havia sentado nela. No ato disse: “Estou desinfetando a poltrona porque nádegas indevidas a usaram”. Após a posse, ainda em janeiro, mês que antecede ao carnaval, perguntado se iria ajudar as escolas de samba de São Paulo, respondeu: “Vou ajudar as escolas primárias”… Num conflito da Guarda Municipal com um grupo da região leste da Capital em que um dos integrantes perdeu a vida, ao ser indagado sobre como ocorreu a morte, uma resposta lacônica: “foi a tiros, você queria que fosse a cacetada!” No último ano do mandato, já sabendo que a Imprensa iria perguntar sobre o seu futuro político, nada mais fez do que, como resposta antecipada, pendurar um par de chuteiras na sala de entrada do gabinete.
Como um vitorioso em eleições, foi sem sombra de dúvida um grande político, o que não se pode dizer em relação ao Brasil. A renúncia representou mais de vinte anos de atraso, por ter mergulhado o País numa terrível ditadura militar. Se tivesse permanecido no cargo, com sua indiscutível capacidade, teria transformado o Brasil numa grande potência. Aí sim, ele seria O GRANDE POLÍTICO!




