Revolta

Por Elioenai Piovezan
De uma ótica particular, todos têm motivos para estarem revoltados com fatos que abriram o ano de 2010. A revolta pode ser contra as recentes enchentes, contra os recentes pedágios ou contra os recentes fatos políticos nacionais e internacionais.
Ficar revoltado contra as enchentes faz a gente refletir sobre a intervenção humana na Natureza. Ora, não podemos culpar o rio que encheu ou o morro que deslizou. Afinal, eles sempre estiveram lá. No mínimo, algum ser humano interveio. Casas feitas na beira de córregos ou rios são fortes candidatas a serem invadidas ou mesmo arrastadas pelas águas. Basta chover mais do que o previsto (e foi exatamente o que aconteceu). Em Itapevi e em toda região metropolitana, é muito comum vermos verdadeiras “palafitas” desafiando (ou agredindo) a Natureza.
Por outro lado, sucessivos governantes desavisados ou coniventes deixaram com que milhares de famílias fossem ocupando paulatinamente tanto os morros de áreas de risco como as margens de córregos e rios. Faltou fiscalização das autoridades, faltou consciência das famílias.
Quer um exemplo? Há cerca de dois anos, uma enchente arrastou um veículo que estava “estacionado” sobre um córrego, na divisa de Itapevi com Jandira (próximo à praça rotatória). É isso mesmo, fui ao local conferir: a rua pertence ao município de Jandira e as casas, passando por “pinguelas” de concreto sobre o córrego, ficam do lado de Itapevi.
No caso da cratera aberta na rodovia de acesso à Castello Branco (SP-29), a pergunta que não quer calar (e que quase ninguém faz) é: qual a verdadeira causa do acidente? Poderiam a movimentação de terras e o desmatamento da floresta de eucaliptos que estão em andamento no topo daquele morro ter causado (ou contribuído) no rompimento da estrada e a consequente abertura da cratera?
Populares que observavam a cena, debaixo de uma fina garoa, comentavam sobre a água represada ao longo da SP-29. O local teria se tornado uma espécie de “muro de contenção” que acabou não suportando a pressão da água que vinha do morro desmatado. O resultado teria sido o desabamento da estrada, como todos viram.
Obviamente, que os engenheiros do CREA terão a resposta em algumas semanas. Enquanto isso, a Mãe Natureza agradece e os tratores trabalham a todo vapor na terraplenagem daquele morro…
Bem, quanto às outras revoltas (contra o criminoso pedágio da Castello Branco e fechamento de via de acesso ao Rodoanel, e contra a impunidade do pessoal do dinheiro na meia do DEM de Brasília), ficam para um próximo momento, quando houver mais tempo, espaço e estômago para escrever.




