A viagem

Por Elioenai Piovezan - jornalista e professor

Por Elioenai Piovezan - jornalista e professor

A melhor parte da viagem é a viagem. A partida é uma decisão tomada e consciente, seja por necessidade ou por puro prazer. A chegada é o alívio da missão cumprida, mas é também quando a expectativa acaba. Sobra então o durante, que é o deleite das paisagens/imagens, das pessoas/personagens, do novo/inusitado, dos percalços/conflitos, da surpresa/clímax. A chegada é, pois, o desfecho, o esperado, já esvaziada de carga emotiva dos passos em escala ascendente.

Ler um bom livro, literário ou não, é essa viagem. Com a literatura, mergulhamos no mistério, na aventura, no drama, no terror ou na comédia. Com as publicações não-literárias, mergulhamos no pensamento crítico, na reflexão e no contra-pronto. Afinal, os textos em forma de tese nos envolvem com argumentos, exemplos, informações, dados científicos ou estatísticos, às vezes silogismos, e nos dá um produto final. Mesmo os textos jornalísticos, por mais objetivos, frios e “imparciais” que sejam, representam efêmeras viagens: da apresentação de um fato e de seus elementos constitutivos (quem/personagens, quando/tempo-época, quando/cenários, o quê-como-e-por quê/conflito).

Creio que um bom planejamento para o leitor desta coluna é se propor a ler pelo menos seis obras literárias em 2010. Uma a cada bimestre. Que tal? Ah, livro custa muito caro! Vá a uma biblioteca e retire um livro, renove-o quantas vezes for necessário. Itapevi não tem biblioteca decente? É verdade. Aquela da rua Joaquim Nunes não condiz com uma cidade de 200 mil habitantes. E enquanto o novo Teatro Municipal e a nova Biblioteca Municipal não saem do papel e dos entraves jurídico-administrativos, a solução é recorrer a bibliotecas populares. Uma delas (e diria a mais organizada e com maior número de títulos) é a Biblioteca Comunitária Luís Carlos Prestes, do Sr. Horácio e seu filho Anderson. A Biblioteca está em atividade há seis anos e é uma ótima referência para centenas de crianças, jovens e adultos. (Ela fica no acesso 5, na rua Sebastião Mamede, próximo ao posto de saúde da Cohab).

Eu mesmo estou em dívida com seu Horácio, pois peguei emprestadas algumas obras literárias e não concluí toda a leitura devido à leitura obrigatória do concurso de efetivação de professores cuja prova deverá acontecer em março deste ano. São 20 obras sobre pedagogia em geral e 10 sobre o ensino-aprendizagem na área de Língua Portuguesa, fora as leis e documentos oficiais.

O que posso dizer? Cada obra é uma viagem partindo de pontos próximos e tomando os mais diversos rumos. Se nos envolvermos em cada parada dessas viagens, creio que no final teremos entendido a preocupação dos condutores do ônibus, do trem, do navio ou do avião.

Caro(a) leitor(a), tome esta coluna como uma singela contribuição para o incentivo à leitura. Aceite um livro como uma criança aceita um prato cheio de biscoitos. E boa viagem!

 

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