No olho do furacão

Elioenai Piovezan

Elioenai Piovezan

É comum usarmos analogias para tentar explicar o que pensamos. Metáforas e comparações são as mais comuns. Esta semana mesmo, na tentativa de persuadir alguns colegas professores a aderirem à paralisação (a greve foi iniciada no dia 5 de março), acabei utilizando algumas dessas figuras de retórica.

O ser humano é assim mesmo. Consegue entender e se expressar melhor remetendo à linguagem figurada, valendo-se de expressões como “estar com a faca no pescoço” e “estamos no mesmo barco” (no caso, o Titanic).

Para o bom entendedor, o pescoço em questão é o do professor e a faca é o conjunto de ações que o governo Serra tem criado para “melhorar” a qualidade da Educa ção. O problema é que o governo tucano atua a partir de uma ótica neoliberal em que os gastos no setor público são tidos sempre como despesas e não como investimentos. Também possui um caráter excludente, submetendo os funcionários a provas de caráter eliminatório e criando leis extinguindo ou restringindo seus direitos.

Outra expressão da qual me valho agora é “estar no olho do furacão”. Segundo a definição enciclopédica, o olho é uma região localizada no centro de ciclones tropicais fortes onde as condições climáticas são amenas. Ou seja, quem estiver no centro dessa tempestade terá a impressão de que nada está acontecendo à sua volta, tudo parece normal e tranquilo.

Creio que esta seja a percepção de muitos professores que não entenderam que as medidas adotadas pelo governo do PSDB têm sido, na sua essência, prejudiciais aos docentes e, pior, refletem diretamente nos alunos. Ultrapassando o diâmetro do olho do furacão, temos as massas de ar que se agitam destruindo tudo o que alcançam. É o caso do Provão do OFA (professor temporário) que desrespeita o tempo de serviço e a condição de habilitado do professor para ministrar aulas (Constituição Federal e LDB); a prova de Mérito que vende a ilusão, principalmente aos professores efetivos, de que é possível até quadruplicar o salário; leis complementares que jogam professores na vala dos descartáveis, como o contrato de trabalho precário em que se trabalha um ano letivo e fica outro sem trabalhar (professores categoria O, a partir de 2011, e também os L a partir de 2012).

O estado letárgico de muitos professores em meio ao caos o coloca no olho do furacão. Mas a destruição causada pelos furacões e ciclones é de ordem natural. Já a destruição do sistema educacional é de ordem política. Se não podemos parar o vento, é possível pelo menos prever seu comportamento e nos protegermos. Contra os ataques de Serra, a única forma de proteção é mostrar à sociedade, por meio de uma greve geral do Magistério, o quanto se está descontente, e que o culpado pela má qualidade da Educação é o próprio governo.

Dizem que após a tempestade vem a bonança… Mas quando essa tempestade vai acabar?

 

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