“Estado brinca com o ensino e desrespeita os profissionais da educação”

José  Carlos Brito afirma que Estado tenta enganar professores ao conceder gratificações ao invés de realizar reajuste salarial que está defasado há 20 anos 

José Carlos Brito afirma que Estado tenta enganar professores ao conceder gratificações ao invés de realizar reajuste salarial que está defasado há 20 anos

Desde o dia 5 de março, professores, supervisores e diretores da rede de ensino estadual estão em greve visando, dentre diversas bandeiras, reajuste salarial, melhor estrutura em sala de aula, plano de carreira justo e garantia de emprego. Para falar sobre o assunto, o Jornal da Gente entrevistou o coordenador da Sub Sede Itapevi/Jandira da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), José Carlos Brito Silva. Segundo ele, o Governo do Estado mente e tenta ludibriar os professores com míseras gratificações, ao invés de conceder o reajuste salarial, e ainda tenta chantagear os profissionais da educação com ameaças de demissão, não reposição dos dias parados e prejuízo para o bônus. “O governador José Serra mente quando diz que recebe as entidades para negociar. Estamos parados há duas semanas muito antes disso o Sindicato trabalhava para agendar reunião com ele, mas de nada adiantou­. Não somos atendidos e nem ouvidos pelo tucano Serra”, destaca o sindicalista. 

 

Jornal da Gente: Qual o envolvimento dos profissionais da educação na greve?

José  Carlos:

 

JG: Quais são as principais reivindicações dos profissionais da educação?

JC: Uma delas é a falta de estrutura e vou explicar com exemplos do que se trata esta deficiência. O Governo do Estado faz propagandas afirmando que há dois professores na sala de aula, mas isto não é verdade. Não há a presença do professor auxiliar. Outro exemplo: eles anunciam que todas as escolas estão equipadas com laboratórios de informática e biblioteca. Quando há laboratório de informática, não há manutenção dos computadores e estão em péssimas condições de uso. Para piorar, quando existe, é espaço de leitura. De acordo com a lei, para se ter biblioteca é preciso haver o bibliotecário, e as escolas não contam com este profissional. As escolas estão longe de oferece condições e equipamentos adequados e para dar aula de qualidade. Falta aparelho som, retroprojetor… Enfim, para se ter uma educação de qualidade é preciso investir no professor e na estrutura. 

 

JG: Muitos professores reclamam do material fornecido como cronograma de aulas. Qual é o problema?

JC: Trata-se da apostila fornecida para toda a rede de ensino do Estado e que os professores devem seguir à risca. Além de conter erros de informação e até mesmo de gramática, este método bane a autonomia dos educadores de desenvolver ações diretas de acordo com a realidade de cada local e, pior, não incentiva o raciocínio e forçam a famosa “decoreba”. As apostilas estão distantes do contexto do aluno, o que é antipedagógico, e estimulam que o aluno deixe de pensar sobre os fatos para apenas memorizar. A formação deve estimular a reflexão e o Governo Serra quer fazer o contrário: não estimular, para depois manipular com facilidade. 

 

JG: Há quanto tempo os professores não têm aumento salarial?

JC:

 

JG: Quais outras lutas dos professores em prol do ensino de qualidade?

JC:

PRINCIPAIS LUTAS DOS PROFESSORES

Também lutamos pela diminuição do número de alunos em sala de aula. Há situações em as mesmas comportam até 50 alunos. É impossível atender a todos. Além disso, somos contra a prova aplicada pelo governo para a atribuição de aulas e para obtenção de aumento. A avaliação é muito simplista, medíocre e não está relacionada à prática do professor em sala de aula. Paulo Freire, um célebre educador, afirmou que “o acúmulo de informação não significa acúmulo de conhecimento”.  Há pelo menos 20 anos os salários dos professores estão defasados. O que o governo oferece são gratificações, mas divulgam como aumento salarial. Por exemplo, sem discutir com a classe do professorado, o Governo Serra encaminhou à Assembléia projeto para incorporação da GAM (Gratificação por Atividade do Magistério) em três anos, o que representa hoje um aumento de apenas 0,59% do salário. Quase nada! Uma vergonha conceder este valor e ainda afirmar que deu aumento aos professores. Nós estamos reivindicando a reposição salarial dos últimos cinco anos, que é de 34,3%. E já que estamos falando de aumento, o tucano Covas, quando governador, prometeu que o piso salarial dos professores seria de quatro salários mínimos, ou seja, hoje deveríamos receber R$ 2.040,00, enquanto que na realidade o professor de 1ª a 4ª séries recebe R$ 758,50. Para aqueles que trabalham de 5ª a 8ª e Ensino Médio o salário é de R$ 909,60. Esta situação obriga o professor a ter jornada dupla ou tripla, o que impossibilita buscar novos conhecimentos, por intermédio de outros cursos, e além disso, acaba com as horas de lazer do profissional, afinal, tem que trocar o final de semana com a família pela correção de trabalhos e provas ou preparação de aulas.  É bastante significativo e ganha força a cada dia. Além disso, não se trata de uma paralisação dos professores, além da Apeoesp, outras entidades como UDEMO, ­PASE e CPP, que reúnem diretores e supervisores, também estão à frente da paralisação. 

Reajuste salarial imediato de 34,3%;

incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados;

por um plano de carreira justo; pela garantia de emprego;

contra as avaliações excludentes (provão dos ACTs/avaliação de mérito);

pela revogação das leis 1093,1041,1097;

concurso público de caráter classificatório;

contra a municipalização do ensino;

pela luta contra o PLC 1614 (avaliação nacional dos professores) 

 

 

1 Comentário

  1. maria santos disse:

    É lamentavél está observando o que o nosso governo está fazendo com nossa categoria…se ele ocupa o cargo que tem hoje é porque um dia alguém o alfabetizou .Quem diria…..que o educador que ensinou o alfabeto e, que hoje deveria receber um prémio de agradecimento. recebe um prémio de desmerecimento por ter sido um dia professor…Sim porque pergunto: o que este senhor tem contra a esta categoria…

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