Quem quer manter a ordem?
A máxima do pensamento positivista está exposta em nossa bandeira nacional: “Ordem e Progresso”. A ordem é obtida pela opressão de uma minoria sobre uma maioria e o progresso é garantido com o enriquecimento cada vez maior das elites e o distanciamento cada vez maior entre pobres e ricos. Assim, toda vez que uma voz se levanta para contestar o Estado (o opressor a serviço de uma elite) e exigir uma parte do bolo da riqueza (produzida pela classe trabalhadora) é visto como criador de “desordem”.
A ordem é a manutenção do status quo (estado de coisas). Para mantê-la, o Estado conta com um aparato policial, a mídia (comandada por empresários conservadores), o patronato (socorrido com bondosos financiamentos públicos quando estoura uma crise) e os especulado-res imobiliários e financeiros (verdadeiras sanguessugas da economia).
Essa realidade só foi um pouco alterada com a ascensão do governo Lula, que inverteu as prioridades do Estado, investindo na geração de emprego e no combate à fome e à exclusão. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), por exemplo, possui esse duplo papel: contrata empreiteiras que contratam mão-de-obra.
O governo Lula não é um governo revolucionário, mas, no seu limite, conseguiu feitos jamais vistos na história do Brasil. O que os governos anteriores (Collor, Itamar e FHC) não conseguiram em 12 anos, o presidente Lula conseguiu em menos de 8 anos: gerou 12 milhões de empregos com carteira assinada, garantiu a entrada de 31 milhões de brasileiros na classe média e a saída de outros 24 milhões da linha da pobreza.
Se avanços não ocorrem em muitos Estados e municípios, não é por falta de condições estruturais. É, antes, falta de vontade política, de uma visão que se opõe em beneficiar os trabalhadores. No Estado de São Paulo, por exemplo, o governo tucano Serra-Goldman paga um dos piores salários aos professores (14º lugar entre os estados brasileiros). Paga mal os policiais civis e militares. Alardeia obras como o Rodoanel (feita com boa parte de verba federal) e joga a conta para a população pagar com pedágios em todas as saídas dessa autoestrada. Não resolve os problemas de enchentes, embora tenha enterrado mais de um bilhão de reais no rio Tietê. Não dialoga com a sociedade e tenta passar uma imagem de que está “tudo bem”.
Os feitos do governo Lula só não são mais conhecidos devido ao “interesse” da grande mídia por temas sensacionalistas: violência, acidentes, catástrofes naturais, exploração da vida privada de famosos e escândalos de todo tipo. E também por terem um lado na escolha de seus candidatos… Sem uma cobertura jornalística séria, pública e democrática, fica a sensação de que “nada acontece” e de que “políticos são todos iguais”. A indiferença ou a nivelação entre maus e bons governantes só contribuem para o não envolvimento da sociedade nas questões políticas.
Quem quer manter a ordem? Todos querem, só que para isso, às vezes, é preciso contestar, é preciso criar desordem. Afinal, “quem diz o que é ou não?”

Elioenai Piovezan

