Lula e o Corinthians
O presidente Lula tem duas tarefas difíceis e uma já muito bem resolvida em sua agenda. A resolvida foi o encontro na quinta-feira, 2 de julho, com parte da equipe do Corinthians, que se consagrou tricampeão da Copa do Brasil, batendo o Internacional no Pacaembu por 2 a 0, no primeiro jogo, e empatando na quarta, em 2 x 2, em Porto Alegre. O presidente (corintiano roxo) já havia convidado o Timão para um encontro por ocasião da conquista do Brasileiro de 2005, estrelado por Tevez. Desta vez, Lula levantou a taça ao lado de Ronaldo, Cristian, Dentinho, Jorge Henrique, William, do técnico Mano Menezes, e do chefão Andrés Sanchez.
A parte mais simbólica do encontro foi o pedido que Lula fez a Ronaldo para que fique no Corinthians e dispute a Taça Libertadores 2010. Segundo os bastidores do futebol, o Fenômeno já teria sinalizado que pretende renovar seu contrato por mais 12 meses no Timão e que não pensa em voltar à Europa.
Parte do problema resolvido, e encarando o plano da política nacional, Lula agora precisa driblar o Congresso, principalmente o PSDB e o DEM, e achar uma solução final (não a dos alemães) para o drama do presidente do Senado José Sarney. É uma situação parecida com a do Inter na final de quarta, que tinha que fazer cinco gols em cima do Corinthians em 45 minutos. Perdeu. Mas se o presidente corintiano tem algo em comum com seu time do coração: é que ele sempre consegue superar situações extremas e virar o jogo, mesmo quando existe até um “inconsciente coletivo” (ou seria consciente?) torcendo contra.
Em outra esfera política, agora internacional, Lula, como liderança dos países sul-americanos, articula para que o presidente deposto em Honduras, Manuel Zelaya, retorne ao posto. Desde domingo passado, o país sofre com um golpe militar, que calou a imprensa e vem reprimindo toda e qualquer manifestação favorável ao presidente deposto. O presidente interino e golpista de Honduras, Roberto Micheletti, disse que não existe nenhuma hipótese do retorno de Zelaya. O impasse continua.
Assim como a seleção brasileira perdia para os Estados Unidos por 2 a 0, no primeiro tempo, na final da Copa das Confederações, na África do Sul, e depois virou o jogo em 3 a 2, levando a taça de ouro, o nosso presidente tem jogo de cintura suficiente – e muitos aliados – para virar o jogo em Honduras, fazendo a democracia voltar a ser respeitada naquele país.
Segura Lula, que a bola está com você.
Por Elioenai Piovezan - jornalista e professor

