O desafio de ser administrador hospitalar

“No papel, o plano de gestão da saúde é maravilhoso, mas na prática nem sempre é possível”

“No papel, o plano de gestão da saúde é maravilhoso, mas na prática nem sempre é possível”

José Luiz Cardoso vivencia há 15 anos os desafios de trabalhar na área da saúde. Não como médico, mas como administrador hospitalar. José já atuou na Santa Casa, em Santana de Parnaíba e atualmente divide seu tempo entre o Hospital Nova Vida, onde trabalha durante o dia, e o Pronto-Socorro Central de Itapevi, onde dá expediente à noite. Para ele, a saúde no Brasil tem sido tratada com mais respeito nos últimos anos e evolui a cada dia. “Porém, o sistema tem suas falhas que devem ser analisadas e resolvidas com mais pratici-dade. Ou seja, até é possível localizar as falhas, mas não há resolutividade no setor público. Isso porque, ele esbarra em situações burocráticas, como licitação, dotação orçamentária, entre outras”, avalia.

Para o administrador, há fatores negativos e positivos em se trabalhar na área da saúde. Como exemplo, ele cita o fato de ser obrigado a aguardar vaga em hospitais par transferir um paciente quando este não possui convênio médico. “Se a unidade atende uma pessoa com infarto, no Pronto-Socorro, são realizados os primeiros atendimentos para depois encaminhá-la a algum hospital para tratamento. No entanto, nem sempre há vagas nas unidades”. José disse que já presenciou casos de pacientes que aguardaram 10 dias por um leito. “Os familiares acabavam responsabilizando quem estava na linha de frente da situação e não o Estado que não tem hospitais suficientes para atender a demanda”, destacou.

Por outro lado, ele conta que é uma alegria imensa ver uma pessoa sendo bem atendida ou ouvindo e recebendo agradecimentos em virtude de uma cirurgia bem sucedida e um nascimento, entre outros casos. “É um grande desafio. No papel, o plano de gestão da saúde é maravilhoso, garante acesso a todos, na mesma qualidade. Mas, na prática, nem sempre é possível”, desabafou.

FALTA TRABALHAR A SAÚDE PREVENTIVA

José Luiz disse que faltam nos lares e nas escolas educação visando a saúde preventiva. “Prevenir ainda é melhor do que remediar”, enfatizou José Luiz. Segundo ele, não há trabalho educacional voltado ao assunto em casa e, principalmente, nas escolas durante formação do ser humano. “Hoje, existe a educação visando a preservação do meio ambiente, e quando haverá uma atenção especial para a questão da saúde humana? Que o homem e a mulher devem procurar regularmente o médico e não apenas quando sente dores ou se acidentam”, avaliou.

No Pronto-Socorro de Itapevi, José Luiz presencia semanalmente casos graves de embriaguez, que poderiam ser evitados. “Existem jovens que chegam bêbados ou drogados e os pais e mães nem sabem. Isso é resultado da falta de educação adequada quando eram crianças. Enfim, médico não deve ser visitado apenas quando há indícios de doenças, mas sempre, como prevenção. E isso é que deve ser ensinado às crianças de hoje”, finalizou.

2 Comentários

  1. Ana Paula disse:

    Gostaria de saber se o médico José Luiz Cardoso, da matéria “O desafio de ser administrador hospitalar” é o mesmo que atuou no hospital Prontonil no RJ. Minha mãe nos conta que o Doutor Cardoso foi responsável por salvar a vida de minha irmã. Queríamos notícias deste grande herói.
    Obrigada!

  2. marli disse:

    EU APRENDI TANTO COM ESTE ADMINSTRADOR, ONDE PASSEI A DAR MAIS VALOR A SAUDE,ONDE ESTE DESAFIO DE SER ADMINSTRADOR NOS AJUDOU MUITO

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