Desespero

elioenai3Desespero. Esta é a palavra que explica o comportamento de senadores e demais parlamentares da oposição, principalmente do PSDB e do DEM. O desespero toma forma de denúncias num ciclo vicioso e perigoso: o político alimenta a imprensa com uma denúncia (ou acusação); a imprensa publica tal denúncia; e esta acaba servindo de material para o mesmo político exigir apuração ou instalação de CPI. Não importa se há um fundo de verdade ou não. O que importa é o espetáculo grotesco oferecido à opinião pública, à sociedade, para prejudicar a imagem de pessoas do governo.

Esta prática já é comum e o alvo principal tem sido a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O pecado de Dilma? Ser a escolhida por Lula para sucedê-lo na presidência da República. Se ela tem chance? Sim, certamente, Dilma representa a continuidade do projeto que o PT e aliados começaram a implantar em 2003.

Desespero. Tucanos e demos (com ou sem complexo de maioria) tentam a todo custo criar factóides para poder crescer. Infelizmente não possuem propostas nem projeto amadurecido ao País. Digo, infelizmente, porque mesmo tendo governado o Brasil por dois mandatos (e tendo o PMDB como um dos aliados) e praticando toda forma de conchavo e fisiologismo, os tucanos hoje apostam no fracasso e no caos.

Os avanços em todas as áreas do governo Lula são inques-tionáveis. Essa realidade e o apelo pessoal do presidente Lula foram determinantes, por exemplo, para que o senador Aloísio Mercadante, líder da Bancada petista no Senado, continuasse no cargo, mesmo tendo anunciado sua saída dias antes. Mercadante disse em seu pronunciamento na manhã dessa sexta, 21, que o Governo errou, o PT errou e o Senado errou. Mas que “os erros dos homens abrem portas para novas descobertas”.

O sacrifício de Mercadante mostra o tamanho de sua responsabilidade. Ele não teve que engolir apenas um sapo, mas um brejo inteiro. O preço pelo arquivamento de todas as denúncias e representações contra os senadores José Sarney (PMDB) e Artur Virgílio (PSDB) no Conselho de Ética só pode ser explicado pelo compromisso em manter a aliança governista com o PMDB, fiel da balança na disputa pela presidência da República. A questão não é de ética, é antes política…

Ou seja, o que está em jogo é a continuidade e aprofunda-mento das mudanças iniciadas por Lula. Creio que a ética não deveria ter preço, mas os sacrifícios foram feitos, cordeiros foram imolados no altar… Entre engolir o sapo Sarney & Cia. e ver Serra na presidência, os anuros parecem ser um mal menor. Pois os tucanos no governo federal retomariam a política de Estado mínimo, do Consenso de Washington, com mais privatizações de empresas públicas e cortes de verbas para os setores públicos, além de uma política de faz-de-conta para a Saúde e a Educação.

Desespero. Agora tucanos e demos querem uma acareação de Dilma e Lina, sobre o tal encontro (ou não) de 2008.

Rio do desespero tucano e admiro a coragem e a sinceridade de Mercadante. Se valeu a pena o sacrifício do senador? Sua postura, seu discurso e o tempo dirão…

Elioenai Piovezan

 

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