Apae: instituição de amor, carinho e luta pelos deficientes intelectuais

Professora Ditinha busca parcerias para que a Apae tenha condições de atender quem está na fila de espera

Professora Ditinha busca parcerias para que a Apae tenha condições de atender quem está na fila de espera

“Como pedagoga, sei quão importante é trabalhar a inclusão dos alunos da Apae junto à comunidade. Lembro-me que na primeira saída que fizemos, eu e alguns alunos estávamos próximo ao corredor e para meu espanto, as pessoas começaram a desviar do grupo, não nos cumprimentavam. Um ou outro chegava para conversar, mas até as pessoas conhecidas passavam direto. Isto já ocorreu há alguns anos, mas ainda é comum”. Com este relato, Benedita Moreli Franci, mais conhecida como professora Ditinha, demonstrou a triste realidade ainda existente na sociedade: o preconceito contra os deficientes intelectuais. Como diretora pedagógica administrativa da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Itapevi, Ditinha diz que a entidade trabalha sério para mudar esta realidade e conscientizar a comunidade da importância da inclusão. “O aluno da Apae pode até a demorar a aprender, mas quando aprende, ele age. Trabalha como qualquer outra pessoa e também é um ser humano, por isso, é preciso acabar com o preconceito e a discriminação”, destacou.

Durante a entrevista, um ex-aluno Lourival Guedes Martins esteve no local, acompanhado da mãe, Aparecida dos Santos Alexandre. A família mora na Cohab. Aparecida visitou a instituição para relatar que o filho está sendo alvo de “chacotas” dos colegas de trabalho. “Gostaria que todos apreendessem a respeitar as pessoas especiais, que muitas das vezes não têm como se defender”. A professora Ditinha explicou que, infelizmente, este tipo de comportamento é normal. “A lei obriga a destinação de vagas para deficientes, mas as empresas e a sociedade também precisam se conscientizar. É essencial o respeito”, destacou Ditinha.

A pedagoga disse que a educação inclusiva implantada no Estado de São Paulo precisa ser revista. “Pede-se que as pessoas com deficiência intelectual sejam matriculadas em escolas públicas, mas muitas das vezes não há infra-estrutura adequada para estes alunos e nem profissionais totalmente qualificados para trabalhar com eles. Enfim, é preciso desenvolver um trabalho especial e não apenas colocá-los em uma sala de aula e dizer que está sendo feita a inclusão”, disse.

A APAE ITAPEVI

Fundada em 28 de janeiro de 1985, a Apae Itapevi atende 180 pessoas e outras 50 estão na fila de espera. A instituição precisa ampliar a capacidade de atendimento e está buscando maior repasse da prefeitura de Itapevi, além de subvenção da prefeitura de Jandira, uma vez que também atende moradores da cidade vizinha. A entidade conta com doações e ajudas financeiras de pessoas físicas e jurídicas. “Precisamos de mais parceiros para atender aqueles que precisam”, disse Ditinha, que busca apoio para a implantação do Projeto Terapêutico, que prevê a criação de um mini Centro de Reabilitação.

Dentre as missões da Apae, estão a promoção da melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência, preferencialmente intelectual: crianças, adolescentes, adultos e idosos. O objetivo é assegurar-lhes o pleno exercício da cidadania e articular junto aos poderes públicos municipais e entidades privadas, políticas que assegurem estes direitos.

 

COMO AJUDAR A APAE?

Para contribuir com a Apae, o interessado pode realizar qualquer tipo de doação. Os materiais são encaminhados para o Bazar da Pechincha da instituição que reverte o valor arrecadado para a aquisição de materiais para a Associação. Quem quiser contribuir financeiramente, pode realizar o depósito na conta da Apae: Banco Santander. Ag.: 0348. CC 13000311-2, em nome da Apae Itapevi. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: 4142-1423.

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