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Alex Sandro Ferreira da Silva
A
Semana da Consciência Negra
e os debates contemporâneos
Comemoraram-se, na semana passada, os 308 anos da morte do líder
negro Zumbi dos Palmares, o que nos leva a refletir sobre o debate libertário
dos problemas atuais sofridos pelos afro-descendentes do nosso país.
A condição do negro no Brasil continua crítica. Segundo
dados recentes do observatório afro-brasileiro a partir do Atlas
de desenvolvimento humano, o IDH (índice de desenvolvimento humano)
da população negra brasileira ocupa a 107.º posição
do raking das Nações Unidas, enquanto a população
branca está no 46.º lugar.
O rendimento familiar médio dos brancos brasileiros é de
R$ 633,60; o dos negros não passa de R$ 276,00. Já a expectativa
da população branca é de 72 anos, e a dos negros,
de 66 anos. Atualmente os negros representam mais de 60% dos 72 milhões
de pobres do país, sendo que 69% destes são indigentes.
O analfabetismo atinge 25% da população negra, contra 10%
da população não-negra.
No ensino superior os negros ocupam apenas 2% das vagas, 52% dos domicílios
ocupados por eles não possuem saneamento básico e 63% das
crianças que trabalham indevidamente no país são
negras. O trabalho forçado, o subemprego e o desemprego afetam
em maior índice os brasileiros afro-descendentes.
Como se não bastasse, para os negros que conseguem inserção
no mercado de trabalho, sobram os cargos e funções menos
qualificadas, e ainda recebem rendimento médio 46% inferior aos
não-negros.
O governo Lula, ao criar a Secretaria Especial de Promoção
da Igualdade Racial e colocar cidadãos negros em cargos importantes,
assim como reconhecer a dívida histórica do Brasil com o
continente africano, sinaliza para avanços nesta área. Porém,
cai em contradição ao assinar o novo acordo com o FMI, mantendo
ainda a política econômica recessiva que gera desemprego
e exclusão social, afetando principalmente a população
negra.
É indispensável pensarmos políticas públicas
que combatam a discriminação racial. O que está em
jogo é o futuro do país.
Alex
Sandro Ferreira da Silva é membro do Conselho Estadual do
Meio Ambiente,
diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região
e
membro das pastorais sociais: Negro, Operária (trabalho)
e Fé e Política (CNBB/SP).
Contatos: alex@sindmetal.org.br
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