| Por Fernando Silveira
Quilles
ASSASSINATO
DO JOVEM CASAL:
podia ter sido em Itapevi
Redução da maioridade penal resolve o
problema?
Todos se sensibilizaram com o assassinato do casal Liana e Felipe em Embu-Guaçu.
Últimas notícias do caso revelam que a moça foi violentada
sexualmente pelos diversos criminosos chegando a ser estuprada por mais
de 30 (trinta) vezes. Imaginem o sofrimento desta moça! Entre os
criminosos um é menor de idade. O que fez ressurgir a discussão
sobre a redução da maioridade penal. Não parece justo
que esse menor infrator que participou dos crimes seja colocado na FEBEM
e após alguns anos seja posto em liberdade. Os que defendem a redução
pretendem que todos os jovens que já tiverem 16 anos respondam
pelos crimes do Código Penal e se sujeitem às penas privativas
de liberdade na prisão comum. Mas será que isso resolverá
o problema do jovem que entra para o mundo do crime? O deputado João
Caramez já foi defensor dessa redução. O governador
Alckmim (PSDB) foi à Presidência da Câmara de Deputados
para discutir texto do ECA com João Paulo (PT). Porém, na
minha opinião, isso deveria ser discutido pela sociedade numa consulta
popular (plebiscito), mas a redução da maioridade não
será a solução.
A solução está na probidade dos nossos políticos.
A solução está na boa administração
dos bens e do dinheiro do povo pelo Governo do Estado e pelas Prefeituras.
Itapevi, por exemplo, já esteve no noticiário quando do
seqüestro da filha do Silvio Santos e entre outras notícias
vergonhosas, disputa com Embu o podium das cidades mais violentas do Estado
de São Paulo, com as mais altas taxas de homicídio. E, no
entanto, em Itapevi só existe uma Delegacia de Polícia,
quando deveria ter no mínimo 3 (três). Qual será o
motivo dessa deficiência? Ademais, é preciso dar oportunidade
ao jovem, oferecendo cursos profissionalizantes que o capacitem para o
mercado de trabalho. O tão prometido curso profissionalizante (SENAI,
SENAC) que deveria ser instalado em Itapevi ficou só nas manchetes
dos jornais locais. Foi liberada a verba? Se foi, onde estará?
A prefeita de Itapevi divulgou na imprensa um curso pré-vestibular
com 50 vagas para jovens carentes. Isto parece piada diante do grande
abandono da administração municipal para com os jovens.
O que o jovem morador de Itapevi pode esperar de uma cidade que não
tem um curso profissionalizante, não tem uma faculdade, não
tem um teatro, não tem nem sequer lazer digno. O que a sociedade
pode esperar dos jovens marginalizados por seus governantes?
Aconteceu em Embu, acontece em São Paulo, podia e pode acontecer
em Itapevi, mas será que reduzir a maioridade penal resolverá?
Fernando Silveira Quilles é oficial de justiça,
bacharel em direito, aprovado na OAB
e é filho da Srª. Lourdes do Cartório. _________________________________________________________________________________________________
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