| Por Fernando Silveira
Quilles
AS
CAIXAS PRETAS
HAVERIA ALGUMA NA ADMINISTRAÇÃO DE ITAPEVI?
A declaração do presidente Lula sobre
a caixa preta do Judiciário não ficou só em uma frase
de impacto. A Operação Anaconda da Polícia Federal
mostrou resultado ao começar a abrir essa caixa. Na reportagem
da revista Veja da semana passada, o ministro do STF (o mais alto representante
do Judiciário do Brasil), Maurício Corrêa, é
apontado como um fora da lei ao manter funcionários sem carteira
assinada e menores trabalhando; além de invasor de terras, entre
outras insinuações.
Constata-se que no Brasil a corrupção está mesmo
infiltrada em todos os poderes (Judiciário, Executivo e Legislativo).
Considerando a dimensão do problema, não fica difícil
concluir que muitas caixas pretas podem existir por centenas de prefeituras
espalhadas por esse Brasil. Temos a caixa preta do lixo, a caixa preta
dos transportes, entre outras. A Prefeitura de Itapevi foi acionada na
Justiça por problema relacionado ao seu lixo. Uma empresa coletora
de lixo do município de Embu, que lá sofre processo por
irregularidade, é sócia da empresa contratada pela Prefeitura
de Itapevi. Existem aí pontos obscuros a serem desvendados. E o
problema dos transportes? Por que em alguns municípios o transporte
é tão deficiente? Por que em alguns existe a lotação
e em outros não? Por que a linha de trem da CPTM Itapevi-Júlio
Prestes apresenta pior qualidade no trecho Itapevi-Carapicuíba
em relação ao trecho seguinte? Por que não são
efetuadas melhorias no trecho Ambuitá-Itapevi? Em Itapevi, o usuário
do transporte público sofre com a demora dos ônibus e com
locais que não são atendidos. O custo é alto e a
qualidade é péssima. No caso dos ônibus, a concessão
do serviço para a empresa depende de lei da Câmara dos Vereadores
que define entre outros itens: os direitos dos usuários, a política
tarifária e a obrigação de manter o serviço
adequado. Assim, o prefeito e os vereadores das cidades com transporte
deficiente são diretamente responsáveis pela má qualidade
do serviço prestado pelas empresas de ônibus. É uma
questão de querer. Forçar o cumprimento do contrato. Rever
o contrato. São mecanismos que um bom prefeito pode utilizar se
quiser melhorar o transporte público para o povo. Não sendo
suficiente, pode-se permitir a entrada de transporte alternativo (lotação),
para ver se com esta a concorrência resolve o problema em prol da
melhoria do serviço para a população. Isto dependeria
de uma lei votada pelos vereadores se eles quisessem.
O problema é que nem sempre o que é melhor para o povo é
conveniente para os interesses particulares de seus governantes. Existem,
por vezes, conchavos políticos, trancados a sete chaves na "caixa
preta" e quem sofre com isso é o povo.
Fernando Silveira Quilles é oficial de justiça,
bacharel em direito, aprovado na OAB
e é filho da Srª. Lourdes do Cartório. _________________________________________________________________________________________________
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