Cidadania

Bem-vindos ao ano da Paz

Parabenizo a conduta crítica e cidadã da leitora Rosely Gaeta, mas faço algumas observações quanto o pedido de correções ao artigo da edição anterior : "2004 o ano da Paz".
1) É importante destacar que o primeiro passo não foi apenas ensaiado, realmente o Brasil em 2003 começou uma caminhada de luta pela superação da miséria e da fome. O cartão alimentação, uma das ações emergenciais do Fome Zero e que agora foi transferido para o Bolsa Família, está implantado em 1.277 municípios e beneficia mais de 5,5 milhões de pessoas. Outra ação é a distribuição de alimentos a grupos específicos que estão em insegurança alimentar, como quilombolas, indígenas e acampados. Foram distribuídas cestas básicas de alimentos para 174.018 famílias de acampados sem-terra e para 20 mil famílias de 63 comunidades indígenas A melhoria da qualidade da merenda escolar é outra ação do programa. Duas ações foram desenvolvidas em parceria com o Ministério da Educação (MEC): o aumento do valor da merenda na pré-escola e, pela primeira vez na história, o governo começou também a repassar recursos para a merenda nas creches.
2) O ano de 2001 foi marcada por diversas instabilidades econômicas intensificadas pela crise Argentina e pela crise energética (apagão) fazendo com que o PIB (Produto Interno Bruto) tivesse um crescimento real de 1,51%. Mas foi em 2002 que tivemos a fragilidade econômica à mostra, tendo a taxa de risco alcançado os 2436 pontos (em 2003 fechou-se em 476 pontos), estagnação econômica e um grande temor, por parte dos investidores internacionais, acerca das declarações de incentivo ao medo da condução econômica do amigo Lula, dadas pelo então candidato da aliança PSDB-PMDB. A idéia que a "esperança venceu o medo" foi o resultado da eleição inédita de um trabalhador metalúrgico à Presidência da República.
3) Temos que admitir que a situação em 2002 foi tão grave que foi preciso manter em 2003 os mesmo métodos recessivos do Governo do PSDB por algum tempo, tornando o crescimento real do PIB em apenas 0,1% (a menor taxa desde 1993). Mas com criatividade e austeridade pôde-se aumentar as exportações em 20%, com superávit comercial de US$ 24 bilhões de dólares, um recorde histórico.
Acredito que a meta para 2004 seja a dedicação aos investimentos que gerem empregos e, com eles, segurança nas ruas, educação nas escolas, saúde para todos e um pouco de bem-estar aos brasileiros. Enfim, é preciso voltar ao trabalho que produz e abandonar a especulação estéril do mercado financeiro.
É o que se deseja e se espera para este ano.

Alex Sandro Ferreira da Silva é membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região.
Contatos: alex@sindmetal.org.br