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A municipalização da Fonte de Vida
A campanha da Fraternidade (CF), deste ano, aborda a água
como fonte de vida. O corpo de um adulto possui 70% de água, o
corpo de um bebê possui 90%, mas o enfoque principal da CF é
a degradação dos recursos naturais pelos cidadãos.
Com o aumento populacional, no último século as águas
vieram perdendo sua pureza, atingindo pela poluição e pelo
aumento do consumo humano, tornando um desafio para a humanidade do Séc.
XXI a conservação das reservas de água da Terra.
Segundo a ONU, 1,2 bilhão de pessoas não têm água
de qualidade para beber e 2,4 bilhões não têm serviços
sanitários adequados e, em 2025, 40% da humanidade terá
problemas de água.
Nos países pobres, uma em cada cinco crianças morre antes
de 5 anos de idade por doenças relacionadas à água.
Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde
(Opas), 20% da população brasileira não tem acesso
à água potável, 40% da água das torneiras
não têm confiabilidade, 50% das casas não têm
coletas de esgotos e 80% do esgoto coletado é lançado diretamente
nos rios, sem qualquer tipo de tratamento!
Mas gostaria de expressar a minha preocupação quanto a proposta,
A ser encaminhada para o Congresso Nacional, do Ministério das
Cidades que pretende passar à responsabilidade dos Municípios
o gerenciamento e a implantação dos sistemas para Saneamento
Básicos, ou seja, os Municípios custearão a captação
da água, a implantação de novos "troncos",
assim como serão responsáveis pelo tratamento dos dejetos
domiciliares e industriais. Essa proposta Torna-se incoerente quando pensa-se
em políticas macros, por exemplo: Municípios como Jandira
e Itapevi, que são abastecidos pela Sabesp que capta as águas
dos reservatórios do Alto Cotia e da represa de Guarapiranga poderiam
ter um custo adicional, às contas dos consumidores, por utilização
de redes coletoras e/ou transmissoras de outras cidades.
É indispensável, antes de municipalizar, observarmos a causa
fundamental da eliminação de vários mananciais, que
depois impacta a calha central de uma bacia está, sobretudo, no
desmatamento ou na sucção indiscriminada dos lençóis
subterrâneos.
Espero que, assim como ocorreu nas Conferências das Cidades, a Sociedade
seja parte das discussões que alterarão suas vidas. Pois,
a proteção de nossas águas passa por uma nova concepção
de desenvolvimento e não, apenas, nas transferências de responsabilidades
econômicas.
Alex Sandro Ferreira da Silva é membro do Conselho Estadual do
Meio Ambiente, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco
e Região.
Contatos: alex@sindmetal.org.br
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