Som do Marcão

Sampa, 450

O que falar sobre os 450 anos da maior metrópole da América Latina, estando aqui em uma de suas "cidades-satélites", separadas por um abismo de "apenas" 32 km?
A cidade de São Paulo faz aniversário amanhã e, pelo menos teoricamente, nós itapevienses não teríamos nada a ver com isso, afinal nosso aniversário é comemorado em 18 de fevereiro... certo?
Mas não é bem assim. Posso afirmar sem medo de errar que Itapevi só existe por causa de São Paulo. Não tenho dados históricos e/ou estatísticos para afirmar com precisão (nem é esse o foco), mas a grande maioria das pessoas que vivem aqui, trabalha ou estudam (ou as duas coisas) em São Paulo. Portanto, essa proximidade obrigatória nos faz um pouco paulistanos também, principalmente porque nosso dia-a-dia está praticamente atrelado ao cotidiano da metrópole.
Quem aí nunca encarou o "Fepasão" de manhã pra ir trabalhar na Lapa, na Barra Funda, no Centrão, isso quando dava sorte de ser perto assim. Problema era quando tinha que ir pro Tatuapé, Parelheiros, etc, etc.
Sou de um tempo que não tínhamos nem cinema por aqui (hoje é mais fácil, hein garotada!). Então, quando queríamos assistir algum filme, o caminho natural era pegar o "trenzão" e ir direto pra Av. Ipiranga, mais especificamente no Marabá (hahahaha)
Shows então!!! Saía daqui à tarde, ia pro show onde quer que fosse e tinha que dormir por lá, pois sempre acabava depois que o último trem já havia partido da Júlio Prestes. Lembro-me de situações terríveis, como frio, chuva, fome, dormindo nas imediações de estações como a Barra Funda ou na Praça Princesa Isabel.
É desnecessário dizer que as melhores opções de restaurantes estão por lá. Alguém conhece algum lugar melhor pra comer massa que a rua Treze de Maio no Bixiga, por exemplo? Temos aqui em Itapevi o bate-papo da Poliguetti, que é muito legal, aconchegante e as massas são divinas, mas é só. Os outros são todos medianos e praticamente só fazem pizza.
Teatro, nem preciso falar. Se quiser ver uma peça de qualidade tem que ir pra Sampa. Temos teatro aqui em Itapevi, no centro Jorge Amado, mas com montagens esporádicas e sem a devida divulgação e promoção.
E o futebol? Onde é melhor assistir, no Morumbi ou no André Nunes Jr.? Sem menosprezar, mas alguma dúvida? E qual é o melhor time de futebol do Brasil? São Paulo (hahahahaha) justamente o nome da cidade (hahahaha). Bi-campeão mundial (hahahaha).
Como tantos outros que vivem em Itapevi, eu nasci em São Paulo (em Santo Amaro na Zona Sul, mano!). Sou o típico paulistano "da gema". Apesar da distância (lembre-se são 32 Km), acho que nós aqui de Itapevi devemos comemorar esse aniversário também, já que nossa realidade está tão ligada com a de São Paulo, tomadas as devidas proporções, é claro...

A HOMENAGEM DO MARCÃO
Escrevi essa música em agosto de 1989, curiosamente período em que nem se fala em aniversário de São Paulo. Acho que, apesar da idade, ela ainda é apropriada pra ocasião. Ahh, sim!!! Aos espertinhos de plantão: Não adianta pensar em copiar porque ela foi devidamente registrada em 1990, OK!

SÃO PAULO, CIDADE
Uma cidade, um coração
Pessoas a amam
Nela choram, nela sofrem
Uma cidade uma emoção

Uma cidade, um destino
Pessoas que vem de longe
Na cidade nua sentem frio
E a tristeza no olhar de um menino

Oh, cidade sombria...
Cidade sem céu, sem limite
Você não tem jeito!
Cidade que todos precisam.

Nesta cidade de várias vidas
Cidade de muitas formas
Pessoas de muitos sonhos
Pessoas de pouco tempo

Cidade dos meus encantos
São Paulo dos meus desejos
Tu és a luz dos meus sonhos
E responsável por meus pesadelos

Oh, cidade sombria...
Cidade sem céu, sem limite
Você não tem jeito!
Cidade que todos precisam

Marcão (Marco Guilherme) é professor de informática em Itapevi e músico.
Mensagens podem ser enviadas para profmarco@elyteonline.com.b
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