| Elioenai Piovezan*
Fiasco
pedagógico

Se confirmar a convocação para os professores concursados
da rede estadual tomarem posse ainda neste ano letivo, Geraldo
Alckmin estará provando definitivamente o grande fiasco que é
seu governo tucano para a Educação.
O concurso público de PEB II (Professor de Educação
Básica) foi realizado em 2003. A atribuição de aulas
ocorre no início de cada ano letivo. Dar posse aos concursados
no meio do ano letivo acarretaria uma série de problemas, tais
como:
a) A demissão de professores ACTs (Admitidos em Caráter
Temporário), que são parte da rede de ensino.
b) O professor ingressante teria de optar por jornada de 20 horas-aula,
o que provocará perdas salariais, pois, se um professor tem carga
horária de 32 horas-aula, perderá 12 horas-aula, tendo redução
no salário.
c) O prejuízo pedagógico, pois o ingresso dos docentes aprovados
no concurso ainda este ano provocará a ruptura no processo pedagógico.
Os professores têm liberdade de cátedra e, portanto, um método
próprio de trabalho. Eles já estão trabalhando há
um semestre com os alunos e vêm cumprindo um planejamento, que não
necessariamente poderia ser seguido por outro colega.
Cabe citar ainda que a convocação de apenas 14 mil concursados
- e não os 49 mil conforme prometido em 2003 - demonstra a falta
de palavra do governo tucano com a população e com os professores.
Qualquer pessoa não tão bem informada saberia entender quantos
prejuízos uma mudança de regras no meio do jogo pode trazer
aos seus participantes. Os professores, por meio do seu sindicato - a
Apeoesp - estão reivindicando a posse aos concursados em 2005,
para que nem alunos nem professores sejam prejudicados.
Nota:
A distribuição da cartilha DIREITOS DO ESTUDANTE
causou indisposição de professores na rede de ensino municipal
em Itapevi. O livrinho, publicado pelo Instituto Protagonistés,
entidade presidida pela famigerada Rose Neubauer (ex-secretária
de Educação do Estado de São Paulo) apresenta uma
série de informações tais como Classe de Aceleração,
Sistema de Ciclos, Avaliação e outros. No entanto, o texto
"O aluno vai à escola para aprender" (página 33)
afirma que "O estudante vai à escola para aprender, não
para repetir o ano e se sentir humilhado". E logo depois: "Se
um aluno ficou na escola dois ou três anos e não foi sequer
alfabetizado, a culpa não é dele, nem da família.
Isso aconteceu porque na escola ninguém se responsabilizou por
ele". E orienta os pais a procurarem o Conselho Tutelar e pedir providências.
A idéia é deixar o professor numa situação
defensiva, pois reprovar um aluno seria um "desrespeito" ao
seu direito básico de aprender. Essa imposição faz
com que professores forcem as notas para cima para ele próprio
não se prejudicar com seus superiores hierárquicos (coordenadores,
diretores, supervisores).
Será esta a saída?
*Elioenai Piovezan
é professor de Língua Portuguesa
e Jornalista Profissional
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