:: Contando História
ABERTO PARA BALANÇO

“Este estabelecimento estará fechado para balanço no período de 31 de dezembro a 02 de janeiro. Estaremos atendendo normalmente dia 03”. Aviso comum no comércio, nos fins de ano. Pequenas variações de texto e datas, mas com o mesmo significado: fechado para balanço.
Resolvi aderir à moda. Reservar alguns dias para fazer balanço. Ver como se comportaram minhas receitas e despesas no ano que findou. Ver se tive lucro ou prejuízo.
Saber quanto dos trezentos e sessenta e cinco dias dediquei à minha esposa e meus filhos. Para conversar, ouvir suas histórias, saber de suas rotinas e suas dúvidas. Saber de seus medos, suas alegrias e seus sonhos. Compartilhar de seus planos, trocar experiências e lhes oferecer um ombro amigo. E com minha mãe, meus irmãos e suas famílias, quantos desses dias todos participei de suas vidas e dei oportunidade para que participassem da minha.
Quantas vezes me lembrei de Deus, não só para pedir ajuda nas horas difíceis, mas também para dar graças pelos sucessos alcançados. Em quase quatro centenas de dias, o que fiz para ajudar o próximo. Quantos, desses dias todos, atendi ao apelo de quem me estendeu a mão.
O que fiz para estar junto de meus amigos. Quantos amigos fiz por merecer no ano que terminou. Quantos novos amigos ganhei em trezentos e sessenta e cinco dias do ano. Amigos de infância, de escola, amigos de trabalho, amigos de toda uma vida. Leitores amigos. Amigos leitores. Amigos, todos, de verdade.
Amigos que me escrevem. Sônia, Tadeu, Sardinha, Filastor, Neide, Toninho, Dione, Arnaldo... Amigos que não me escrevem, mas sei que também lêem o que escrevo. Sei porque eles mesmos me contam. Tino, Luci, Cláudio, Ananias, Onofre, Dema, Daniel, Juliano, Fábio, Walter, Zé Calcinha, Joãozinho...
Amigos virtuais e, nem por isso, menos amigos. Aqueles que conheço somente por e-mails. Amigos por correspondência eletrônica, como o Elioenai, Cinthia, Plínio e o Marco, todos do Jornal da Gente. Igualmente virtuais, o Nunciato e o Humberto, responsáveis pela página do Nosso Jornal, na Internet.
E os muitos amigos de quem não tenho notícias, mas sei que estão atentos ao que fazemos. Torcendo por nós. Amigos que nos apóiam.
Quanto do ano todo reservei para o “não fazer nada”. Curtir a vida, jogar conversa fora, dar asas à imaginação. Quanto desse tempo todo me permiti ser criança, brincar, passear na chuva, andar descalço, aprender com os jovens, sonhar e ser feliz.
Nunca fui muito bom em contabilidade, mas não foi difícil lidar com esses valores. Que não podem ser representados em colunas de débito e crédito, simplesmente. Valores que, quando lançados no balanço da vida, não permitem conta de chegar. Colocam-nos frente a frente com os resultados de nossas ações.
Abrir-se para balanço, portanto, requer coragem para conhecer o saldo de nossas contas. Pode exigir, também, humildade para rever e reconsiderar valores. Ou ainda, disposição para enfrentar resultados negativos. O importante é não se descuidar. Conservar os resultados favoráveis e ir à luta para melhorar os não muito bons. Seguir em frente. Na busca incessante por lucros reais em todos os períodos fiscais de nossas vidas.

Ayrton Corrêa é aposentado e reside em São Paulo.
Morou 30 anos em Itapevi.
ayco@superig.com.br