:: Poesia
Nossas vozes

Eduardo Luiz Silveira

Quantas vozes ressoam
Em cantos de miséria e abandono;
Em muros fechados de dor e revolta;
Em esquinas desertas, perigosas e abandonadas...

Quantas vozes ressoam
Nos solos sem fruto e sem fartura abundante;
Nas selvas devastadas, sem a exuberância de matas;
Nas campinas sem o alvoroço da fauna quase extinta...

Quantas vozes ressoam
Nas casas trancadas onde famílias refugiam-se do trauma.
Nas passeatas de grito, protesto e revolta;
No silêncio tétrico e obscuro onde repousa o poder...

Quantas vozes... Ouço-as!
Seu ruído comove e instiga onde quer que eu passe.
Enchem o peito e inflamam a garganta dos brasileiros
Há que se ouvir ao longe
o clamor de nossas vozes!

Eduardo Luiz Silveira é poeta e cronista

 

À ESPERA DE UM MESSIAS

Eduardo Luiz Silveira

Eis que está para nascer o messias,
Que há de destruir os canhões, mísseis e
_______________[espadas.
Paralisar o dedo que pressiona o gatilho,
Ferir a mão que violenta, tortura e
_______________[assassina...
Eis que está para nascer o messias
Que acabará com as diferenças entre
_______________[povos e nações;
Que abrandará o coração perverso dos
_______________[corruptos e desonestos;
Que brotará em nossos campos lavrados
_______________[o fruto da justiça.
Eis que está para nascer o messias
Que dará de comer e de beber aos
_______________[necessitados,
Que trará fartura e prosperidade aos que
_______________[estão na miséria,
Que abrirá horizontes de felicidade a todas
_______________[as pessoas.
Teremos tudo isso quando a manjedoura
que existe em nossas vidas
Acolher em seu berço o messias
que o mundo ainda espera.
O sentimento que jaz frio e congelado em
_______________[um tempo de trevas.
O amor menino e inocente, ainda distante
_______________[de nós.

Eduardo Luiz Silveira é poeta e cronista

AURORA DOS TEMPOS

Elioenai Piovezan

Luz, luzir da manhã
Jaz, assaz, cheia de manha
de seus olhos, luz que assanha,
Ofusca. Que cegueira tamanha!
Aurora estupenda, que ganha
cada canto da terra e sua entranha
Obscura, agora, estranha
Tanta luz, lilás, azul e castanha
Tanto céu e mar de Espanha
Quixote que do moinho apanha
Mas que na imortalidade se banha
em águas juvenis e barganha
um lugar no cume da montanha.
Aurora dos tempos, que façanha!
Vem, menino Jesus, sem artimanha
preenche nossa alma enfadonha
com alegria hoje e sempre e amanhã

Elioenai Piovezan é jornalista e professor