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Para
chegar à presidência da Câmara é preciso exemplificar
a luta do candidato com a anedota do papagaio: "Ou dá ou desce",
ou concorda com o pleito dos deputados que o elegerão ou não
se elege. É o toma lá dá cá mais sem vergonha
e mais transparente que temos diante dos nossos olhos. Como se não
bastasse a pouquíssima vergonha que há longos anos impera
nas casas legislativas do país, sem que o povo possar tomar uma
atitude a fim de inibir o prosseguimento da farra com o seu dinheiro,
farra que absolutamente não constrange nem mesmo algumas figuras
de alta responsabilidade com o assento quer na Câmara quer no Senado.
O auxílio-moradia, verbas de gabinete, passagens aéreas,
dois salários extras por ano, pagamento dobrado nas convocações
extraordinárias, uma infinidade de assessores, fax, internet, telefone,
correio, tem mais coisas, muitas coisas, coisas do "arco da velha".
O desgraçado que recebe o salário mínimo, se pega
com Deus para ter um aumento que lhe proporcione comprar pelo menos 20%
do valor de compra quando ele foi posto em prática, em 1943, graças
à sensibilidade do ditador Getúlio Vargas, o qual também,
inspirado por Deus, deu-lhe uma bíblia para resguardar os seus
sagrados direitos - a CLT!
Deve ter passado despercebido dos órgãos de imprensa, o
documento enviado à Câmara, no dia 15 de dezembro, pelo Supremo
Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República: a
proposta no sentido de que os salários dos ministros e dos procuradores
fosse ampliado para R$ 21 mil.
Quem aumenta os salários dos ministros são os deputados.
Agora, os deputados estão estudando o aumento com muita simpatia,
uma vez que vai beneficiá-los, eles vão legislar em causa
própria, tendo em vista "a votação de um projeto
de lei elevando os seus salários de R$ 12,7 mil para R$ 21 mil.
O Senado, evidentemente, acompanhará o reajuste". É
o que nos informa a colega Dora Kramer, colunista do Estadão. É
um pepino sem tamanho para o novo presidente da Câmara resolver.
Atenção, Luiz Eduardo Greenhalgh! Essa farra prosseguirá
com os aumentos dos desembargadores, juízes, promotores e procuradores
nos Estados, dos deputados estaduais, dos prefeitos e vereadores. É
uma cadeia de gastos desnecessários e absolutamente dispensáveis,
pois toda essa gente ganha bem e tem boas e grandes mordomias.
Nesta hora em que o trabalhador que recebe o salário mínimo
tem um aumento desumano e insignificante, pois passa de R$ 260 para R$
300, a partir de maio, o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral
da República incentiva, através da proposta de aumento dos
seus próprios vencimentos esse possível festival com o dinheiro
público, só nos resta perguntar: confiar em quem? Recorrer
a quem?
Geraldo Pereira é jornalista
e membro do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
e da ABI (Assoc. Bras. de Imprensa)
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