:: Perfil - Por Marco Guilherme
LÉO JAIME

Um dos ícones da Geração 80 do rock nacional, fala com exclusividade à coluna do revival desse período tão fervilhante do pop brasileiro, e outras coisas mais.

COMO FOI FAZER PARTE DAQUELA TURMA DOS ANOS 80?
Bem, era muita loucura. Estourou muita gente, praticamente todos que tinham uma banda conseguiram uma boquinha e aí só ficou quem era bom... Eu, particularmente, me sinto muito feliz por poder ter participado daquilo tudo.

E AQUELA HISTÓRIA DE VOCÊ CANTAR NO BARÃO VERMELHO?
Conhecia o Frejat (guitarrista do Barão) desde pequeno e eu sempre estava nos ensaios quando ele montou o Barão. Eles me convidaram pra entrar na banda. Depois do primeiro ensaio eu disse que tinha o cara ideal pra aquele rock meio blues. Conhecia o Cazuza das baladas, o indiquei e o resto da história todo mundo sabe.

O COMO FOI QUANDO VOCÊ ESTOUROU NO CENÁRIO NACIONAL?
Rapaz, só posso te dizer uma coisa. Você entra num turbilhão que, se não se segurar, ta ferrado! Tinha uma galera que fazia shows no Circo Voardor (RJ) e eu sempre tava no meio. Estava no João Penca, mas dava canja com todo mundo. Um dia, toquei sozinho uma das minhas músicas, "Sônia", tinha um cara da CBS (atual Sony) na platéia e me contratou na hora. Isso foi em 1983, gravei o disco em dois meses e a começou a briga por causa do nome "Phodas C". Naquele tempo ainda tinha censura, então já viu. Mas mesmo assim consegui lançá-lo sem maiores problemas, já em 1984.

O "SESSÃO DA TARDE" FOI SEU MAIOR SUCESSO COMERCIAL?
Sem dúvida alguma. Foi meu segundo disco e, das dez faixas, seis tocavam direto nas rádios. Ele foi lançado em 85 e pegou a onda do rock nacional no auge total. Aí era Chacrinha, Gugu, Globo de Ouro, toda semana. Logo depois eu fiz o filme, Rock Estrela (com Diogo Vilella e Malu Mader) e segui fazendo shows desse disco por quase dois anos.

QUAL SUA OPINIÃO SOBRE A ATUAL SAFRA DO ROCK NACIONAL?
A minha banda predileta das que estão atuando, e que não começaram nos 80, é o Skank. O curioso é que eles me detestam, o que me deixa mais confortável para admirá-los e curtir o seu som. Dizem que o seu sucesso pode ser medido pela grandeza de seus inimigos. Não gosto de gente que tem "atitude", em geral. Essa pose de mau, machista, arrogante e narcisista chamada de "atitude" é um grande retrocesso. Depois de Cazuza e Renato Russo pensar em vanguarda machista e desarticulada é retrocesso.

VOCÊ É COMENTARISTA DE FUTEBOL, COMO É ISSO?
Sou flamenguista fanática e já escrevia sobre futebol para o Jornal do Brasil (RJ) e para o Estadão aí de São Paulo. Há dois anos, fiz comentários pro SBT em suas transmissões. É minha outra paixão, então também me divirto muito.

VOCÊ ANDA MEIO SUMIDO. QUAL SEU ÚLTIMO LANÇAMENTO?
Lancei discos regularmente até 1995. Aí houve um problema lá com a gravadora e só agora, no ano passado, eu lancei um novo disco "Rock Estrela - Edição Comentada". Já com os shows, eu nunca parei. Sempre tem um showzinho pra fazer todo final de semana.

CONHECE ITAPEVI?
Acho que só de nome... Moro no Rio, não sei muito de São Paulo. Já fiz shows em Osasco e Sorocaba. Mas, se me contratarem pra shows, tenho o maior prazer de estar aí e conhecer a cidade.