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Os
sentimentos de amor ao próximo, de tolerância e compreensão,
cada vez mais, estão em desuso no mundo atual, quando o capitalismo
chega e vive a plenitude do seu sistema. No Brasil, onde a mídia
impera com rara facilidade dominando as mentes, impondo tudo que lhe permite
maior faturamento, sem se importar com a educação e o bem-estar
dos seus leitores e telespectadores, chegamos à suprema vergonha
da falta de respeito, não só entre as pessoas de mais ou
de menos idade, também e principalmente entre pais e filhos.
A coisa chegou a tal ponto, que o Poder Legislativo aprovou uma lei obrigando
os filhos a cuidarem dos seus pais, ampará-los na velhice, sob
pena de severas punições. Em todo o País, nos asilos,
hospitais e casas de caridade, a quantidade de pessoas idosas que se encontram
muitas, há anos sem receber a visita dos seus filhos, é
o retrato vivo, inequívoco, de que se faz necessária uma
campanha de solidariedade humana, no sentido de melhorar e conscientizar
o ser humano no caminho do amor ao próximo, da compreensão
e da tolerância entre as pessoas, principalmente, entre pais e filhos,
mormente, quando aqueles estão se aproximando da viagem sem retorno.
É nesse instante que eles mais precisam da presença amiga
e carinhosa dos filhos. É indispensável uma campanha com
esse objetivo. Este primeiro grito terá que ser dado, grito que
certamente chegará aos ouvidos daquelas pessoas mais sensíveis,
grito que tem por objetivo, inibir o crescimento desse quadro que tanto
nos envergonha como membros da raça humana. Com a televisão
brasileira, uma das mais completas, tecnicamente falando, do mundo, cobrindo
todo o nosso imenso território nacional, seria importante fazermos
uma campanha, sem que o povo, através do governo, pague um só
centavo às emissoras de televisão. Afinal de contas, a televisão
é uma concessão pública e como tal precisa realmente
servir ao povo.
Geraldo Pereira é jornalista
e membro do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
e da ABI (Assoc. Bras. de Imprensa)
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