:: Perfil - Por Marco Guilherme
MARCELO D2

O polêmico rapper, vocalista do Planet Hemp, fala sobre sua carreira e outras coisas.

Você estava bêbado na gravação do Acústico MTV?
Sim, mas só no primeiro dia – gravamos em dois. Rolou um atraso na produção e começamos a beber. Quando começou eu já estava meio sinistro. Não deu pra usar quase nada desse dia – no DVD do show dá pra perceber uma música em que estou assim.

O pessoal do Planet não fica enciumado com seu trabalho-solo?
Não, nós somos uma família, um torce pelo outro e um trabalho interfere no outro. O Rafael, por exemplo, foi na gravação do Acústico e perguntei se ele tinha gostado. Sabe, ultrapassamos um pouco essa coisa de banda de rock. Somos um coletivo, temos muita coisa em comum e agora está cada um trabalhando em seu projeto fora do Planet Hemp.

Tem realmente uma diferença-chave entre o seu som e o que faz com o Planet?
Cara, tem uma ligação, as letras são bem-parecidas, mas o Planet tem uma coisa mais contestadora, que se baseia em cima da coisa de protesto e tal. E o meu solo fica mais em cima da música mesmo, dedicado ao samba, à minha sonoridade. No meu trabalho-solo sou eu tocando com meus amigos pessoais e estou em busca de uma coisa nova, do caminho do rap com o samba que é um caminho meu. Já o Planet é a minha banda, minha parada, o orgulho da minha vida como músico.

Já te perguntaram até cansar sobre a maconha, mas como é que seu filho, Stephan, que está com 13 anos, vê a maconha?
Ele é muito novo e é tranqüilo em relação a essa parada. Com ele, me preocupo bem mais com o álcool e com o tabaco, que esses sim viciam e estão sempre por aí - maconha não vicia.

Você faz comparações musicais de seu trabalho com o de outros?
Não, no rap nacional eu tento me diferenciar - e não é só no rap, estou tentando buscar meu som, que tem ligação com a música brasileira. Principalmente aqui no Rio, não vejo um rap muito igual ao meu.

Você gostou de São Paulo?
Gostei de São Paulo. Até sinto saudades em alguns momentos. Morei o ano passado inteiro aí, no Itaim Bibi. Tenho saudades dos restaurantes. Foi uma época meio tumultuada, pois viajei muito, estava em turnê.
Existe uma “malandragem” paulista, que é diferente da carioca?
Sim, claro. A de São Paulo é totalmente mais individualista, com círculos mais fechados, acho que pelo tamanho da cidade. Comparo ela com Nova York, assim como comparo o Rio com Los Angeles. No Rio a coisa é muito mais aberta.

Marco Guilherme é editor-adjunto do Jornal da Gente