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O polêmico rapper, vocalista do Planet Hemp, fala
sobre sua carreira e outras coisas.
Você
estava bêbado na gravação do Acústico MTV?
Sim, mas só no primeiro dia gravamos em dois. Rolou
um atraso na produção e começamos a beber. Quando
começou eu já estava meio sinistro. Não deu pra usar
quase nada desse dia no DVD do show dá pra perceber uma
música em que estou assim.
O pessoal do Planet não fica enciumado com seu trabalho-solo?
Não, nós somos uma família, um torce pelo outro
e um trabalho interfere no outro. O Rafael, por exemplo, foi na gravação
do Acústico e perguntei se ele tinha gostado. Sabe, ultrapassamos
um pouco essa coisa de banda de rock. Somos um coletivo, temos muita coisa
em comum e agora está cada um trabalhando em seu projeto fora do
Planet Hemp.
Tem realmente uma diferença-chave entre o seu som e o que faz
com o Planet?
Cara, tem uma ligação, as letras são bem-parecidas,
mas o Planet tem uma coisa mais contestadora, que se baseia em cima da
coisa de protesto e tal. E o meu solo fica mais em cima da música
mesmo, dedicado ao samba, à minha sonoridade. No meu trabalho-solo
sou eu tocando com meus amigos pessoais e estou em busca de uma coisa
nova, do caminho do rap com o samba que é um caminho meu. Já
o Planet é a minha banda, minha parada, o orgulho da minha vida
como músico.
Já te perguntaram até cansar sobre a maconha, mas como
é que seu filho, Stephan, que está com 13 anos, vê
a maconha?
Ele é muito novo e é tranqüilo em relação
a essa parada. Com ele, me preocupo bem mais com o álcool e com
o tabaco, que esses sim viciam e estão sempre por aí - maconha
não vicia.
Você faz comparações musicais de seu trabalho
com o de outros?
Não, no rap nacional eu tento me diferenciar - e não
é só no rap, estou tentando buscar meu som, que tem ligação
com a música brasileira. Principalmente aqui no Rio, não
vejo um rap muito igual ao meu.
Você gostou de São Paulo?
Gostei de São Paulo. Até sinto saudades em alguns momentos.
Morei o ano passado inteiro aí, no Itaim Bibi. Tenho saudades dos
restaurantes. Foi uma época meio tumultuada, pois viajei muito,
estava em turnê.
Existe uma malandragem paulista, que é diferente da
carioca?
Sim, claro. A de São Paulo é totalmente mais individualista,
com círculos mais fechados, acho que pelo tamanho da cidade. Comparo
ela com Nova York, assim como comparo o Rio com Los Angeles. No Rio a
coisa é muito mais aberta.
Marco Guilherme é editor-adjunto do Jornal da Gente
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