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SEMINÁRIO DA ESQUERDA PETISTA PEDE MUDANÇAS NO GOVERNO

Um sentimento sobre a gravidade e a urgência dos problemas do país, bem como a consciência clara de que é preciso uma mudança imediata na política econômica, foi o que predominou no Seminário de avaliação de dois anos do governo Lula, 25 anos do PT e rumos da esquerda, realizado em São Paulo, no dia 20, domingo.
Segundo os organizadores, o Seminário foi um sucesso e demonstrou que existe uma forte disposição de luta no interior do PT. Convocado por deputados federais petistas e pelo Jornal Correio da Cidadania, o evento reuniu em torno de mil militantes, entre eles, deputados federais e estaduais, prefeitos, dezenas de vereadores, dirigentes sindicais e representantes de vários movimentos sociais.

Abertura
O deputado Ivan Valente abriu o seminário destacando a importância da reunião de inúmeros lutadores sociais, companheiras e companheiros de primeira linha na construção do partido, e que a atividade teve o objetivo claro de aprofundar o debate, buscando alternativas à política econômica em curso. Reafirmou ainda que "o maior patrimônio petista, aquele do qual não podemos abrir mão, são os seus próprios militantes que hoje estão na defensiva em função das opções feitas pelo governo e pelo partido".

Crítica à política econômica
Na primeira mesa de debates, também estavam presentes o jurista e professor da USP Fábio Konder Comparato e o economista Paulo Nogueira Batista Jr. Ambos criticaram a política econômica do governo e Comparato apresentou a proposta desenvolvida pela OAB, CNBB e MST que procura regulamentar a realização de plebiscitos no Brasil. Para ele, dessa forma seria possível realizar um plebiscito inclusive sobre os rumos do governo, além de temas importantes para a soberania nacional como a aprovação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e da comercialização de produtos transgênicos.
O ex-deputado Constituinte Plinio Arruda Sampaio participou junto com a prefeita de Fortaleza (CE), Luizianne Lins, e com o dirigente do MST, João Pedro Stedile, da segunda mesa.
Stédile ressaltou a política de favorecer o agronegócio e os latifundiários, em detrimento da agricultura familiar. Segundo ele, os grandes produtores de soja do centro-oeste receberam seis bilhões de reais de auxílio estatal este ano, enquanto os pequenos produtores do Rio Grande do Sul, duramente atingidos pela seca, conseguiram apenas 180 milhões. "A Reforma Agrária não anda porque está em curso a política neoliberal e a manutenção das altas taxas de juros. Quem se beneficia é o capital financeiro".
"Precisamos desconstruir a idéia de que o capitalismo é a saída", complementou a prefeita de Fortaleza.

Diálogo com as massas
Plinio Arruda Sampaio relembrou a trajetória do PT e das candidaturas de Lula. "Eu disse a ele: - Lula, o país precisa de um líder, não de um presidente. Mas ele ganhou o governo, e não o poder".
Segundo Plinio, isso é resultado também da inserção do Partido no calendário eleitoral, já que o tempo entre as eleições é muito curto e não há mais espaço para a formação de militantes e da sociedade em geral. "O socialismo é desconhecido em nosso país", afirmou.

Frente de esquerda
Plinio avaliou o evento como um toque de reunir. "Com dois anos de governo Lula, há grande decepção em todos os militantes históricos do partido. Estamos nos reunindo para ver se nesses dois anos que ainda restam o PT se assume como uma força realmente socialista e popular".
Após as falas dos companheiros, os deputados petistas lançaram oficialmente o chamado Bloco de Esquerda da bancada federal.

Fonte: www.ivanvalente.com.br