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É
bem verdade que, neste país, estamos bastante acostumados às
marés dos modismos, às quais a população em
geral se agarra cega e compulsivamente, ano após ano. Seja ao embalo
das telenovelas, seja ao embalo dos grupos musicais, das notícias,
afinal, da bem esmerada mídia do terceiro mundo.
No entanto, infelizmente, as seqüelas dessas modas ficam para nos
lembrar do caminho que estamos trilhando. A moda infundada do cão
pitbull é a prova de que cada vez mais o ser humano se esbarra
com seu próprio íntimo, mais vil, cruel e desumano. Jornais
de todo país vêm relatando casos e mais casos de mortes e
acidentes com crianças pequenas, outros cães, adultos, vítimas
desse animal criado em laboratório para a vaidade absurda e violenta
do homem.
Em vários locais podemos observar cidadãos exibindo seus
cães como amostras de sua força, ou poder, que na verdade,
são apenas formas de ameaçar covardemente outras pessoas.
Pessoas que, ao que se vê, desconhecem seus direitos, dos quais,
o primeiro é o direito à segurança.
Da mesma forma que nenhum cidadão tem o direito de andar com uma
arma em punho, também não tem de andar livremente, de forma
inadequada, com seu cão sem focinheira, pelas ruas, cuja ameaça
já se faz muito bem conhecida.
O problema que podemos estudar nessa raça não é o
fato de ele ser um animal dócil em certas ocasiões, ou da
culpa de sua possível agressividade ser atribuída ao criador,
conforme suas atitudes...
O problema é sua forma de ataque, que, por tantas comprovações,
temos visto ser fatal. Além disso, pelo fato de que seus proprietários,
em geral, sequer terem a preocupação de usar prudência
e bom senso ao criar seus animais. Em algumas regiões, a posse
dessa raça é proibida por lei. Na maioria, ainda não,
mas, será necessário? Não será um fato tão
lógico se pensar que uma arma engatilhada como esta deva ser abolida?
O que leva o ser humano a procurar tantas formas de violência? De
exibi-la, como um luxo? De, mesmo apesar de estar ciente de tantos e tantos
danos que ela tem causado a crianças inocentes, mortes violentíssimas,
acidentes tão sérios, causando lesões irreversíveis,
deixando seqüelas irreparáveis, ter a capacidade de buscar
na internet, comprar, comercializar e criar esses animais sem orientação,
sem acompanhamento, sem consciência?
Os animais são nossos sublimes acompanhantes nesse planetinha tão
maltratado... Está na hora de dar
uma trégua a tantos abusos que vimos cometendo contra outros seres
vivos, contra nossa própria espécie.
Tina Glória é desenhista e colaboradora do Jornal da Gente
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