|
Nosso país vive um momento perigoso que pode trazer
sérias e graves conseqüências para sua vida democrática.
O quadro é realmente assustador e exige de todos os brasileiros
a mais viva atenção - total vigilância - a fim de
garantir o pleno funcionamento do regime com as franquias democráticas
constantes da nossa Carta Magna, sendo respeitada e usada pelo nosso povo.
O governo Lula tinha tudo para fazer as mudanças necessárias,
se tivesse por princípio ideológico o nacionalismo, o que
vale dizer: a intransigente defesa da pátria e dos interesses do
seu sofrido povo.
Renegando praticamente todo o programa de governo, sob cuja égide
foi eleito, aceitando e ampliando as medidas econômicas ditadas
pelo sistema que o vergonhoso monitoramento (leia-se: intervenção
do FMI), em nosso país. Fez presidente do Banco Central um cidadão,
hoje, de moral duvidosa e que está sendo processado por falcatruas
as mais diversas. Esse cidadão completamente divorciado dos interesses
nacionais, com a mente voltada exclusivamente para o mercado financeiro,
o ex-presidente do Banco de Boston Henrique Meireles, é sem dúvida
alguma, a mais infeliz aquisição do governo Lula. Foi uma
aquisição sob encomenda para agradar aos investidores. O
guardião da moeda nacional, o mesmo guardial das moedas dos investidores
internacionais depositadas no banco que ele presidiu durante anos nos
Estados Unidos.
E como se essa infeliz escolha não fosse suficiente, através
de Medida Provisória enviada à Câmara, o presidente
Lula lhe dá status de ministro, exatamente para fugir das safadezas
cometidas.
Não vamos enumerar a onda de corrupção que de fato
tomou conta do país, com o ministro da Previdência Social,
também sendo processado e agora o presidente do PTB, deputado Roberto
Jefferson (RJ), sendo acusado por um seu protegido como chefe das safadezas
que estavam ocorrendo nos Correios e Telégrafos.
Aprovada a CPI dos Correios, a coisa vai pegar fogo. E FHC, cujo governo
corrupto abafou todas as CPIs, hoje posa de pai da honestidade e tenta
reviver com o seu grupo antinacional o 24 de agosto de 1954. Tenta encontrar
um tenente Gregório Fortunato (responsável pela crise institucional,
junto com Carlos Lacerda, e que levou o presidente Getúlio Vargas
ao suicídio). Tenta provocar um mar de lama com o objetivo de desestabilizar
o governo Lula. A preparação do golpe e suas evidências
estão claras, são inequívocas.
Faltando com a palavra, decepcionando os trabalhadores mais humildes,
dando-lhes um salário mínimo vergonhoso, a fim de que sobre
mais dinheiro para pagar os credores de nossas dívidas internas
e externas; fazendo o mesmo com os militares, cujos salários também
estão muito defasados, levando as suas mulheres em passeatas a
exigir melhores salários para seus esposos; tendo como ministro
da Fazenda, Antonio Palocci, autorizando o ex-sindicalista, hoje minsitro
do Trabalho, Ricardo Berzoini, a proceder à liquidação
dos sindicatos com sua famigerada Portaria 160, sepultada pelo Supremo.
Diante desse quadro dantesco, o nosso presidente deixa o país e
vai à Coréia do Sul e ao Japão assinar contrato de
um bilhãoe meio de dólares. Acreditamos que ele não
tem bons assessores ou não os ouve. Porque é inadmissível
que o dirigente máximo da Nação se faça ausente
neste momento grave, com as forças de direita unidas e essas forças
são as mais retrógradas da política brasileira.
É obrigação de todo brasileiro consciente e de todos
os sindicalistas, independentemente de pertencer a esta ou àquela
centra sindical, se unirem para defenderem o regime democrático,
para defenderem o mandato do presidente da República e fazerem
ver ao presidente operário que presidente sem povo é presidente
fraco. Que o nosso Luís Inácio Lula da Silva tenha como
exemplo o seu colega da Venezuela, presidente Hugo Chávez, que,
contando com o apoio do povo, golpeado como foi, voltou nos braços
do povo para libertar e dirigir os seus destinos.
Geraldo Pereira é jornalista e membro do Sindicato
dos Jornalistas de São Paulo e da ABI (Assoc. Bras. de Imprensa)
|