:: O SOM DO MARCÃO
A VOLTA DOS QUE JÁ FORAM

Esses dias estava lendo uma matéria na Folha de S. Paulo sobre uma galerinha de doze, treze anos que diz que preferiria viver em décadas passadas. São garotos que curtem Led Zeppelin, Raul Seixas, o movimento Hippie e essas coisas todas.
A partir da matéria da Folha fiz algumas constatações observando o gosto musical dos meus alunos. Cheguei a uma conclusão que, sinceramente, não sei se devo me preocupar ou festejar: muitos dos meu aluninhos gostam de coisas que eu gostava quando tinha mais ou menos a idade deles!
O lado pra festejar é que, com isso, pelo menos eles não estão se entupindo de “festas no apê”, ou aqueles “axé Bahia” que é sempre a mesma coisa ou, pior ainda, querendo saber só de “bondes do tigrão”, ou aqueles sertanejos sem raízes e música eletrônica “bate-estaca” que não quer dizer nada, como foi há bem pouco tempo atrás.
Contudo, isso também traz uma preocupação: sem interesse da molecada por coisa nova, pra onde vai a industria fonográfica? Vão ficar apostando sempre nos mesmos nomes ou, ainda mais cruel, tentando arrumar clones dos mesmas caras e bandas de sempre.
Lembro de um tempo de sofrimento (mais ou menos entre 92 e 94) quando íamos tocar Legião e essas coisas nos shows do Mera Coincidência e a molecada “torcia o nariz”. Só queriam saber de Raça Negra e dance music.
Hoje, além desse apego prematuro e quase inexplicável ao passado, a garotada é bem eclética. Curte praticamente de tudo: a mesma aluna que gosta do Eminem, curte Aerosmith. O carinha que gosta do Slipknot, ainda ouve Legião. Isso realmente é bom, serve de alento e exemplo pras gerações passadas que se agarravam e não admitiam outro som que não fosse o “seu som”.
Mas, não posso deixar de salientar. Renovação é preciso! Senão, daqui a pouco teremos um exército de U2s, clones de Legiões e inundações de John Lennons por aí. Aí também não vira, não é?.

A TRADUÇÃO DO MARCÃO
Semana passada recebi um pedido “em mãos” do meu amigo e companheiro de diretoria do Caveira, Gercindo. Ele e seus colegas da Secretaria de Obras Dario e Sérgio pediram a tradução de Kashmir do Led Zeppelin. Pra quem não conhece essa “sonzeira”, ela foi regravada pelo Jimmy Page e Puff Daday pra ser tema do filme do Godzilla, de 1998.

Led Zeppelin – Kashmir*
** Kashmir ou Cashemira: região no sudoeste da Ásia, situada entre a China, Paquistão e Índia

Oh let the sun beat down upon my face, stars to fill my dream
Deixe o sol bater no meu rosto, e estrelas preencherem meu sonho
I am a traveler of both time and space, to be where I have been
Sou um viajante de ambos, tempo e espaço para estar onde eu estive.

To sit with elders of the gentle race, this world has seldom seen
Para sentar com anciões da raça gentil este mundo raramente viu.

They talk of days for which they sit and wait and all will be revealed
Eles falam sobre os dias pelos quais eles sentam e esperam e tudo será revelado.

Talk and song from tongues of lilting grace, whose sounds caress my ear
Conversa e canção de línguas de alegre encanto, cujos sons acariciam meu ouvido.

But not a word I heard could I relate, the story was quite clear
Mas nem uma palavra que ouvi eu poderia contar, a história era absolutamente clara.

Oh, oh.

Oh, I been flying... mama, there ain’t no denyin’
Eu estive voando... mãezinha, não existe negação.

I’ve been flying, ain’t no denyin’, no denyin’
Eu estive voando, não existe negação, não existe negação.

All I see turns to brown, as the sun burns the ground
Tudo que vejo torna-se castanho a medida que o sol queima a terra

And my eyes fill with sand, as I scan this wasted land
E meus olhos enchem-se com areia, a medida que examino esta terra devastada,

Trying to find, trying to find where I’ve been.
Tentando descobrir, tentando descobrir onde eu estive.

Oh, pilot of the storm who leaves no trace, like thoughts inside a dream
Piloto da tempestade que não deixa rastros, como pensamentos dentro de um sonho,

Heed the path that led me to that place, yellow desert stream
Preste atenção no caminho que me conduziu àquele lugar, córrego do deserto amarelo,
My Shangri-La beneath the summer moon, I will return again
Minha Shangri-lá sob a lua de verão. Eu retornarei novamente,

Sure as the dust that floats high in June, when movin’ through Kashmir.
Certo como a poeira que flutua alta e verdadeira, enquanto me movo através de Kashmir.

Oh, father of the four winds, fill my sails, across the sea of years
Pai dos quatro ventos, encha minhas velas através do mar dos anos,

With no provision but an open face, along the straits of fear
Sem nenhuma provisão exceto um rosto descoberto, ao longo dos dilemas do medo.

Ohh.

When I’m on, when I’m on my way, yeah
Quando eu estiver, estiver no meu caminho, sim,

When I see, when I see the way, you stay-yeah
Quando eu ver, quando eu ver o caminho, você permanece, sim.

Ooh, yeah-yeah, ooh, yeah-yeah, when I’m down...
quando eu estiver abatido
Ooh, yeah-yeah, ooh, yeah-yeah, well I’m down, so down
estou abatido, tão abatido...
Ooh, my baby, oooh, my baby, let me take you there
Ooh, minha querida, ooh, minha querida, deixe-me te levar lá.
Let me take you there. Let me take you there
Deixe-me te levar lá, deixe-me te levar lá...

Marco Guilherme é professor de Informática
e músico (professormarcao@terra.com.br)