12 de junho: Dia Nacional da Erradicação ao Trabalho Infatil

Luiz Henrique da Silva

Quando é tema de abordagem, o trabalho infantil é definido como praticado em trens, carvoarias, canaviais, pedreiras entre outros. É comum nos noticiários da grande imprensa fazerem um grande drama em torno do assunto em que as classes governistas entram em alerta, convocando em regime de urgência os órgãos de defesa dos direitos da Proteção Integral da Criança e do Adolescente.
Coloca-se em discussão o Estatuto da Criança e do Adolescente, muitos cafés, muitos debates, infinitas publicações, entrevistas, demagogias políticas, tapinhas nas costas e paparicos entre as classes dominantes do assunto. Porém, esquecem do mais importante que é erradicar pra valer o trabalho infantil. Mais do que em canaviais, faróis, pedreiras etc., o trabalho infantil já esta dentro do próprio lar. Por falta de ampliação das políticas de atendimentos básicos por parte do governo ou pelo descaso de legisladores, ou pela própria cultura implantada pelos genitores, a criança cresce trabalhando dentro do convívio familiar, deixando para trás todo o direito à infância, à cultura, ao lazer e, principalmente, à de pessoas em transformação dotadas de direitos. Dentro desta prática, a criança está a um passo de se aventurar fora de seu lar com a idéia de que precisa trabalhar para ajudar no sustento da casa. Muitas vezes, o trabalho infantil exigido pelos responsáveis torna-se escravo, sendo que a criança passa a ter como prioridade ganhar dinheiro para a família. Precisa-se de uma política séria por parte do governo, precisa-se rever os programas sociais, pois muitas crianças acabam virando também escravos dos sistemas de ajuda, muitas famílias vivem apenas de bolsas destinadas a medidas sócio-educativas inchando os órgãos públicos de promoção social. Precisa-se de muito resgate social familiar para trazer a conscientização de que criança é criança, dotada de direitos humanos preconizados na Constituição da Nação Brasileira.

Luiz Henrique da Silva (o Luiz dos Tambores) é presidente do CMDCA de Itapevi, coordenador do Projeto Agente Jovem, professor e fundador do Movimento Cultural
e Social Tambores de Itapevi