:: O SOM DO MARCÃO
PRESENTRI !!!

Depois de 11 anos, o São Paulo finalmente chegou a mais uma final da Libertadores. Tudo aquilo que ficou entalado quando perdemos nos pênaltis para o Vélez em 94, poderia finalmente ser posto pra fora agora. Desde o jogo contra o Tigres (4x0), estive acompanhando os jogos do time, no Morumbi.

Veio o confronto com os argentinos do River Plate, (time que por sinal já acabou com a festa do corintinha uma vez) e nem tomamos conhecimento dos caras. Apesar de toda a felicidade com a vitória aqui por 2x0, acabei me ferrando com sérios problemas no meu carro, na hora de voltar do estádio. Pro jogo de volta, como não tinha como encarar um rolê até Buenos Aires, a solução foi a velha e boa “vaquinha” pra carne e a cerveja e reunir toda a turma que sempre vai junto pro estádio na casa de um amigo, o “Bernardo”, no Vitápolis. Mais um espetáculo: 3x2, em pleno Monumental de Nuñes. A partir daí o delírio tomou conta. Sinceramente, nunca achei que o Atlético tivesse time pra ganhar. “Putz! A final no Dia Mundial do Rock, no dia do MEU aniversário!!” Seria perfeito, bastava não bobear no primeiro jogo, fora de casa.

“Depois, vamos comemorar o título com muito rock, no seu aniversário, Marcão!” As palavras do meu amigo Dentinho me faziam pré-visualizar um filme, desses com final feliz... Mas a “dona” Conmebol, resolveu atrapalhar um pouquinho a minha data. Transferiu o jogo para o dia 14. “Não esquenta não, Marcão. A gente comemora do mesmo jeito.” A firmeza nas palavras do amigo Flávio não deixava margem às dúvidas sobre o título que estava por vir.

O 1x1 do jogo de ida, nem foi tão dramático e a certeza da conquista cada vez aumentava mais. Eu quase não agüentava esperar o passar dos dias. As primeiras coisas que fazia quando chegava para trabalhar era: Orkut (na comunidade do São Paulo, lógico), MSN com o Ronaldo do K-Libra o Fígado (que, de férias, vivia a mesma ânsia que eu), site oficial do Tricolor (saopaulofc.net) e contatos telefônicos com o Dente, pra saber dos esquemas de transporte e essas coisas para o grande dia.
Posso até dizer que a quarta-feira, dia 13, meu aniversário passou meio em branco, apesar dos vários telefonemas, abraços dos familiares e amigos e algumas lembrancinhas. A expectativa para a final era mais forte. À noite, todos me procurando pra tomar as geladas comemorativas, junto com meu amigo Vino, que também nasceu no dia do rock. Nem saí de casa, estava me sentindo meio estranho.

7:30 da manhã, quinta-feira, 14 de julho de 2005. Dia da final da Taça Libertadores da América, pela primeira vez na história dois times do Brasil decidiriam o título e o caminho estava pavimentado para o São Paulo selar com glória a maravilhosa campanha no torneio intercontinental desse ano. Só faltava aquela vitória. Eu acordo, tento me levantar da cama e a sensação que tive foi de que meu corpo tivesse sido massageado por um trator. Estava completamente... gripado!!!
Não podia acreditar naquilo. Logo no dia da final! Resolvi que não iria entregar os pontos de novo. Sim, de novo. No mesmo ano que o São Paulo perdeu pro Vélez, deixei de ver o último show que a Legião fez em São Paulo pelo mesmo problema. Justamente no dia da apresentação amanheci mal, mal, mal. Depois o Renato morreu e eu nunca mais vou poder ver show da Legião outra vez. Se soubesse, teria ido nem que fosse de maca!

“Vou de qualquer jeito”. E fui! Mas, queridos leitores, tenho que admitir. Nunca passei tão mal em toda minha vida. Sem poder tomar umas geladinhas, muito menos quentinhas. Não conseguia comer e pra subir até o último anel de arquibancadas do Morumbi, foi uma batalha. Assisti ao jogo ardendo em febre e nem conseguia gritar quando os gols começaram a sair. Me limitava em erguer os braços e abraçar o Dente, o Testa, o Ricardinho, o Edinho e até os desconhecidos ao lado, porque a emoção era muito forte.

Na saída, só consegui ter forças pra chegar à Barraca do Bigode (nosso ponto de encontro) e deitar no carro do Davi, que gentilmente nos cedeu o veículo pra nossa aventura tricampeã. Com muito sacrifício, consegui cortar o bolo que os caras providenciaram pra comemorar meu aniversário. É lógico que tinha o símbolo do São Paulo nele. Deu até pena de cortar de tão bonito, mas cortei. Mas estava mal. Quase não conseguia enxergar de tanta dor de cabeça.
No momento que escrevo essa coluna, ainda não estou totalmente recuperando (o médico falou que preciso me cuidar por uns dez dias mais). Mas a cada tosse, dor de cabeça e até mesmo na hora dos difíceis espirros, vem a lembrança, dolorida é verdade, mas deliciosa da conquista do Tri. Essa, já entrou pra história e sou feliz por ter vivenciado tudo ali, no local do show. Com febre é verdade, mas completamente campeão. Precisava de outro presente?



NOTA DA REDAÇÃO: Emocionado (ainda) com o "presenTRI", nosso colunista e editor-adjunto, Marcão, não enviou a "TRADUÇÃO DO MARCÃO". Fica para a próxima edição...

Marco Guilherme é professor de Informática
e músico (marcao2005@uol.com.br)