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Luiz Henrique da Silva
No espaço da família, as relações
entre seua componentes comportam afetos, cuidado e proteção.
Além disso, ela também se constitui como lugar de desafetos,
quando ocorrem práticas de violência, tais como espancamentos
de crianças, estupro por parentes, negligência ou abandono.
Apesar de práticas de violência doméstica estarem
presentes nas famílias de todos os segmentos sociais, geralmente
a sociedade atribui apenas às das camadas populares. Ao mesmo tempo,
essas famílias assumem a explicação, sendo mais um
fardo que têm de carregar. Muitos jovens envolvidos com esse problema
consideram, equivocadamente, que apenas na sua família existe violência,
que em outras ela não aconteceria.
Há ainda uma tendência a considerar a violência como
fenômeno isolado, sem vinculações sociais. São
consideradas como violência apenas as de fomas visíveis,
como atos criminosos ou delinqüentes, atribuúidos exclusivamentes
às camadas populares.
Neste contexto, são deixadas de lado as preocupações
ao entender as condições sociais como causadoras ou não
de atos de delinqüência. Não são consideradas
como exemplo de delinqüência a prática de exclusão
de crianças da escola, distribuição de renda brasileira
, que é uma das mais baixas do mundo, desrespeito ao meio ambiente
e a corrupção nos governos e na sociedade.
Está presente também na forma como a violência doméstica
é considerada. Portanto, é preciso problematizar a idéia
de que a violência familiar ou não, ocorre apenas nas camadas
populares e que ela decorre apenas de características individuais
de quem a praticou. Isso contraria a própria realidade, já
que o conflito é um fenômeno presente em todas as relações
sociais, diferenciado em todos os casos e o modo de situação
de conflito, caindo por terra os índices indicadores de violência
atribuídos apenas ao adolscente infrator.
Luiz Henrique da Silva (o Luiz dos Tambores) é presidente
do CMDCA de Itapevi, coordenador do Projeto Agente Jovem, professor e
fundador do Movimento Cultural
e Social Tambores de Itapevi
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