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A dança faz parte
de nossas vidas, ainda que não prestemos muita atenção
a ela. Está presente na maioria das atividades festivas, espetáculos
musicais e ritos que representam costumes, crenças e religião
de um povo. Aprendemos a dançar desde cedo. Dançamos, muitas
vezes a contragosto e, outras tantas, por opção.
A contragosto, dançamos com o custo de vida, que andam
com os preços pela hora da morte. Com a má qualidade de
nossos serviços públicos. Com nossos candidatos que nos
largam na mão depois que os elegemos. Com a condução
escassa e lotada que nos leva ao trabalho também escasso. Com a
falta de opção de lazer e escolas para nossas crianças.
Com a falta de segurança. Com a falta disso...com a falta daquilo...e
seguimos dançando. Dois pra lá, dois pra cá. Às
vezes o ritmo aperta e, como diziam os antigos, temos que dançar
miudinho, ou seja, redobrar esforços para vencer obstáculos.
Felizmente dançamos, também, por opção. Dançamos
porque queremos dançar. Queremos nos divertir. Às vezes
até para esquecer, ainda que por alguns minutos, pequenos dissabores.
A dança como terapia.
Confesso pra vocês que eu não fui nenhum pé-de-valsa,
mas arrisquei alguns passos pelos salões da vida. Até já
falei um pouco disso em outra oportunidade. Contei dos bailinhos nas casas
dos amigos Luizinho, Décio, Bimba, Geraldo, Carlinhos e muitos
outros. Dos discos de vinil e das vitrolas pesadas que eram levados de
um lugar para outro. Da Jovem Guarda, dos namoricos e das músicas
lentas, quase parando.
Não bastassem esses bailinhos, havia sempre oportunidades diferentes
para quem quisesse arrastar os pés. Nas casas da redondeza, onde
o recurso eletrônico ainda não havia chegado, a sanfona dava
conta do recado. A poeira do quintal levantava sob o ritmo da rancheira
e o baile varava a madrugada. A dança fazia parte do nosso cotidiano.
A cidade, ainda com características que permitiam chamá-la
de cidade do interior, também oferecia suas alternativas. Quem
ainda não ouviu falar dos animados bailes do Aviador? Ali, na hoje
praça 18 de Fevereiro. E do Salão da Prefeitura, que ficava
no início da rua da pedreira, onde hoje é o trevo da Cohab?
Quem, do tempo, não se lembra de seus animados bailes de carnaval?
Quem não se lembra, ainda, dos bailes do América, na avenida
principal, perto da praça Carlos de Castro? As festas baile nos
clubes de campo da cidade. Os bailes de carnaval no Cine Teatro São
Manoel, cinema do Pereira, para os íntimos. E os bailinhos, nos
fins de semana, na simpática Comunidade de Jovens Cristão,
a CJC, ali no pátio da Igreja de São Judas Tadeu. Inegavelmente,
a dança faz parte de nossas vidas, ainda que não prestemos
muita atenção a ela.
E foi com alegria que vi a dança aparecer como notícia nas
páginas do Jornal da Gente. A dança projetando o nome de
Itapevi para o mundo. Dando um exemplo, através da arte, de coisas
boas de nossa cidade.
E ficamos orgulhosos. É muito bom ver que nossos jovens, a despeito
das dificuldades e preconceitos, tendo muitas vezes que dançar
miudinho, vencem obstáculos e realizam seus sonhos.
Isso mesmo, estou falando de Camila, Rafael e Odirley, que fizeram parte
do corpo de dança do especial Criança Esperança,
da Rede Globo, no sábado, dia 06 de agosto. Estou falando de jovens
que escolheram a dança como profissão. Que, com seus passos
e coreografias encantam os palcos em que pisam e representam, com muita
competência, nosso povo. Parabéns, garotada permitam-me
tratá-los assim parabéns professor Lau.
Ayrton Corrêa é aposentado e reside em São
Paulo.
Morou 30 anos em Itapevi (ayco@superig.com.br)
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