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Não quero invadir o tipo de texto tão bem
escrito do colega colunista Ayrton Corrêa, mas vamos voltar muito
tempo atrás. Itapevi era uma cidade bem menor... Uma das únicas
formas de lazer era o cinema do Sr. Pereira. Um grupo de amigos, influenciados
pelos Beatles, resolve montar uma banda e forma o Shinding´s. Quem
relembra a história é o meu amigo Hugo Michelotti, o Guinho,
que conheci no Itapevi Bocha Clube há dois anos.
A primeira formação do grupo era: Eu, o Pardal, o
Toninho e o Cláudio. A gente ensaiava na casa do Ramiro Novaes
e começou tocando de tudo, como uma banda de baile. Pouco tempo
depois, minha avó cedeu um espaço bem maior pra gente ensaiar.
Ela adorava e se divertia com a banda.
Com o passar do tempo, a banda foi crescendo e fazendo vários shows.
Entraram os irmãos Hélio e Paulo, além do Rosenval,
como diziam na época, o negão mais elegante de Itapevi.
Também apareceu o Foguinho e o Eliseu (que hoje trabalha na contabilidade
Dom Bosco), relacionou Guinho.
A primeira apresentação aconteceu justamente no cinema do
sr. Pereira. Guinho fala das sensações: Foi incrível!
A platéia estava lotada e a gente estava tão nervoso que
nem via ninguém na frente. No final todos ficaram surpresos...
Ninguém acreditava que podíamos tocar daquele jeito. Depois
fizemos vários bailes no Grêmio e na sede do Sindicato que
tem atrás da Igreja São Judas
Guinho conta que o vocalista do grupo era o Pardal (colaborador do Jornal
da Gente), que também tocava baixo. Achamos que deveríamos
arrumar um vocalista para ser o verdadeiro crooner do grupo. Aí
entra na história o Robertinho (Dr. Roberto Barbosa Rodrigues,
advogado em Itapevi). Ele cantava bem e tinha toda a presença
de palco que um crooner precisa ter. Aí virou a formação
clássica, atesta o amigo.
A banda também tocava suas próprias composições
e participaram de festivais aqui mesmo em Itapevi. O Silas (ex-prefeito)
e o Cid (irmão dele) organizavam esses festivais pela UMESI, que
era a associação dos estudantes da época. O cinema
ficava lotado e participavam bandas de toda a região.
Ele relembra uma curiosidade: Tínhamos uma música
chamada ´Jeus Cristo` que era meio política e tal. Algum
tempo depois, o rei Roberto Carlos lançou o Jesus Cristo dele.
Nem preciso falar qual todo mundo conhece...
Sobre o estilo da banda, Guinho diz que tocavam de tudo: Como toda
banda de baile, né? Tocávamos de Beatles a Jackson do Pandeiro,
passando por tudo que foi sucesso na Jovem Guarda. Mas ele admite
que o público da época tinha uma preferência: Ahh,
o que se destacava era o Samba Rock. Sobre as canções
próprias, diz ele que a maioria era românticas.
Os nossos bailes eram verdadeiros acontecimentos e vinha gente de
todas as cidades dessa região, diz orgulhoso o ex-baterista.
Muitos casais se formaram ao som do Shinding´s. Quer exemplo?
A Dalvani e o João Caramez; o Pixoxó e a Luiza, todos ficavam
namorando ao som de nossa música...
Músicos geralmente tem uma relação muito próxima
com o álcool. Na nossa banda só o Foguinho bebia,
então tínhamos que ficar de olho nele antes, durante e depois
das apresentações, pra que não fizesse besteira,
diverte-se.
Sua aventura com o grupo terminou em 1970, quando saiu e foi substituído
por seu irmão, Gelson. A única pretensão que
a gente tinha era a de nos divertir. Só queríamos o prazer
de tocar, lembra Guinho com o olhar de plena saudade. E completa:
Quando encontro com alguns deles, até rola o papo de voltar
a reunir e tal, mas acho que, se voltarem, será melhor chamar meu
irmão. Perdi a vontade.
FORMAÇÃO CLÁSSICA
Pardal (era o alicerce da banda), baixo;
Guinho (a fúria), bateria;
Toninho (o músico clássico), guitarra solo;
Cláudio (outro músico na melhor definição),
teclados;
Rosenval (estava sempre sorrindo, todo elegante), guitarra
base;
Eliseu (o quietão da turma), guitarra solo;
Robertinho (o político, sempre ponderando), crooner
(vocalista);
Foguinho (tínhamos que cuidar pra não travar e arruinar
o show), trombone.
Marco Guilherme é professor de Informática e músico
(marcao2005@uol.com.br)
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