CARLOS LESSA - síntese de uma entrevista

Geraldo Pereira

Ele é hoje um dos brasileiros mais admirados. Admiração conquistada como mestre em sua profissão, profissão que hoje dirige os destinos e os negócios mundiais - a economia!
Com os seus profundos conhecidos profissionais aliados ao vigoroso sentimento de amor à sua pátria e ao seu povo, Carlos Lessa é de fato uma reserva, não só profissional, mas acima de tudo moral, à disposição do Brasil para tirá-lo dessa situação de eterna dependência do capital externo, progredir e alcançar os seus objetivos.
Entrevistei-o em sua bela residência no bairro do Cosme Velho, na Cidade Maravilhosa. A casa é ampla, confortável, própria da classe média, média ou média alta. O mestre me recebeu sem ceromônia, logo, me senti muito à vontade. A casa estava em reformas, ele acabara de almoçar na cozinha. "Podemos fazer a entrevista aqui mesmo, Geraldo?"
Sobre a mesa uma garrafa de vinho. (Fazia muito frio na Cidade Maravilhosa). Ele me serve. "Nesta época, costumo tomar uma garrafa de vinho todos os dias", me diz após receber o primeiro telefonema de uma série enquanto durou a nossa entrevista.
Ao longo de minha vida profissional entrevistei grandes brasileiros: Luiz Carlos Prestes, Sobral Pinto, Barbosa Lima Sobrinho, Alceu Amoroso Lima, Oscar Niemeyer, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Celso Furtado, Plínio Salgado, Nelson Carneiro, João Mangabeira, Dom Avelar Brandão Volella e muitos outros. Aprendi um pouco com cada um deles. Com Carlos Lessa não poderia ser diferente.
Esta entrevista, muito me orgulho de tê-la feito e poder proporcionar aos leitores de nosso "O Encarte" (órgão do Sindicato dos Trabalhadoresa Hoteleiros de São Paulo) a oportunidade de conhecer o pensamento deste admirável brasileiro, carioca de nascimento, Carlos Lessa. (Se o leitor do Jornal da Gente tiver interesse em receber essa edição de "O Encarte" com o texto completo da entrevista, escreva para Geraldo Pereira, rua Taguá, Liberdade, São Paulo-SP).

Carlos Lessa esteve à frente do BNDES por mais de dois anos. Sua demissão foi exigida pelo sistema financeiro e pelo governo americano. Vou sintetizar algumas respostas desse grande economista sobre alguns temas:

LULA
"Ele aprende coisas com enorme facilidade. Ele é uma pessoa com muita inteligência e bom senso. Sabe o que lhe falta, no meu ponto de vista? É a experiência administrativa. De certa maneira ele tem muita coisa de quem gosta de presidir e manejar reunião de assembléia. Ele conduz a reunião de ministros como reunião de assembléia, e aí é paralisante."

HUGO CHÁVEZ
"Eu acho que o presidente Chávez reproduz muito o que o presidente Vargas. Eu acho que ele é na verdade a primeira grande manifestação inequívoca de dignidade do povo venezuelano."

GETÚLIO VARGAS
"(...) eu na verdade somente consegui perceber a importância de Getúlio quando já economista. Eu comecei a estudar o desenvolvimento brasileiro. Comecei a entender que todas as decisões fundamentais para o futuro do Brasil tinham sido tomadas por Getúlio: o petróleo, o aço, o controle dos recursos minerais, a fundação do BNDES. Aí eu comecei a ter admiração pela capacidade que havia tido, premonitória, de construir bases do futuro do Brasil."

CAPITAL ESTRANGEIRO
"Quando o presidente Lula me disse 'eu quero a sua cadeira de volta', eu respondi 'presidente, a cadeira é sua..., (...) presidente, o senhor está sendo profundamente enganado. O senhor acredita que em algum momento o capital estrangeiro virá em massa para o Brasil para fazer de sua administração um grande sucesso?"

JUROS
"O Brasil pratica juros reais sobre o dobro do 2º colocado que é a Turquia. É uma vergonha o que nós fazemos, é uma coisa absolutamente estúpida, imoral, amoral, tecnicamente insustentável."

FUTURA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL
"Deixa eu te dizer em bom português, no meu ponto de visto, se a sucessão se der entre PT e alguém do PSDB, vai ser seis versos meia dúzia, ou seja, não vai ter diferença. Isso me preocupa muito."
Seu Nelson. Uma saudade.

Geraldo Pereira é jornalista e membro do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e da ABI (Assoc. Bras. de Imprensa)