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Quando voltaram à estrada com o disco Longo
caminho, pouco menos de dois anos depois do acidente de ultraleve
de Herbert Vianna, os Paralamas do Sucesso apresentaram canções
que já estavam prontas antes do acidente. Aquele disco foi simbólico
por contar com Herbert, milagrosamente, empunhando outra vez a sua guitarra.
Agora, ao lançar Hoje, o trio, formado ainda pelo baterista
João Barone e pelo baixista Bi Ribeiro, cumpre a sua retomada real,
com composições novas de Herbert, muitas em um tom dolorido
e confessional (Não quero estar nesse lugar e ver você
partir/ Eu quero te esperar onde você quer ir, de De
perto) que contrasta com a felicidade de estar vivo.
Eu diria que esse disco marca o início de um segundo ciclo
de 20 e poucos anos, diz Hebert Eu não tenho uma lembrança
clara de um estágio em que eu não compusesse. Também
não tenho nenhuma lembrança de um período mais triste
pós-acidente. Para mim as coisas sempre são naturais, de
tentar dizer o que sinto
O NOVO PONTO DE PARTIDA
A retomada se deu através de um processo intenso que começou
a partir de janeiro, quando começaram a selecionar o repertório
do disco.
A gente mergulha num processo de peneirar tudo. O Herbert apareceu
com coisas prontas, mas a gente trabalha de uma maneira muito orgânica,
juntando sugestões, experiências. Vira um processo coletivo
diz Barone.
Processo que exemplifica bem a relação dos integrantes da
banda, a única da geração que manteve a sua formação
original inalterada. É claro que tivemos momentos de divergências,
o que é natural, mas que nunca fugiram ao plano normal das relações
- explica Bi.
A gente se sente mesmo dono de uma coisa preciosa que é a
nossa amizade, nosso encontro. Por isso estamos aqui, loucos para tocar.
Ainda tem muito assunto para a gente conversar e isso é importante,
completa Barone.
REVIVAL DOS ANOS 80
O baterista, Herbert e Bi se dizem afastados do revival dos anos 80 que
virou febre em festas, livros, shows de rock e até no ressurgimento
de artistas que tinham ficado perdidos por lá. No entanto, eles
acham importante que se fale do período: Acredito que por
estarmos em atividade, juntamente com Barão, Titãs, Kid
Abelha, Capital Inicial e outras bandas, faz com que isso ainda esteja
muito vivo diz Bi.
Voltando a falar do novo disco, que será lançado no Canecão
nos dias 28, 29 e 30 de outubro, traz convidados como Manu Chao, Pedro
Luiz, o guitarrista Andreas Kisser e o DJ Marcelinho da Lua. Além
das novas canções como Pétalas, parceria
de Herbert com Nando Reis, e a música de trabalho Na pista,
o grupo regravou Deus lhe pague, de Chico Buarque, após
uma pesquisa no site oficial:
Herbert desiludido com o presidente Lula
Animado com a volta à estrada, Herbert, autor de Luiz Inácio
e os trezentos picaretas, se diz desiludido com Lula mas acredita
que o presidente seja o menos culpado da história:
A estrutura do poder no Brasil é viciada. Inclusive por tudo
aquilo que a gente vive no dia-a-dia de cada brasileiro, de propina para
isso, um jeitinho para aquilo. Essa coisa que muitas vezes é colocada
no plano quase genético... Por essas coisas, poderia ser o nome
que fosse lá em cima que iria se defrontar com isso.
Enquanto isso, Barone cantarola a letra: Brasília é
uma ilha/ Eu falo porque eu sei/ Uma cidade que fabrica sua própria
lei.
Marco Guilherme é professor de Informática e músico
(marcao2005@uol.com.br)
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