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Por Elioenai Piovezan
A prefeita de Itapevi, Dra. Ruth Banholzer (PPS), concedeu
esta entrevista em seu gabinete ao lado do vice-prefeito, Jaci Tadeu.
Ela falou principalmente sobre o desfecho do processo que tramitava no
Tribunal Superior Eleitoral e os novos projetos para a cidade como a Universidade
Aberta do Brasil, a reurbanização do Areião que já
iniciou a fase de construção (matéria na página
3) e um novo pronto-socorro para a cidade.
A prefeita não escondeu sua alegria e confessou sentir-se muito
aliviada com a decisão do TSE que enterrou as pretensões
de seus adversários tucanos. O último recurso que cabia
à coligação de Dalvani Caramez era um Agravo Regimental,
que foi negado pelo TSE.
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JORNAL
DA GENTE: Como a Sra. se sente com a decisão definitiva do TSE
a seu favor?
Dra. Ruth Banholzer: Sinto-me aliviada e sossegada, porque
dentro de uma expectativa de Justiça eu creio que a Justiça
foi feita. Dentro de toda uma análise processual, ficou comprovado
desde o primeiro momento que nós não tínhamos essa
característica de abuso de poder econômico. O periciamento
mostra desde o começo que foi injusta a acusação.
E fico muito feliz em saber que existe Justiça neste país.
JORNAL DA GENTE: Com a vitória do TSE,
muda a estratégia de seu governo?
Dra. Ruth: Não. O que muda é a concepção
que as pessoas têm de nosso município porque você há
de convir que esse processo todo gerou uma insegurança local, nos
funcionários, que era alimentada pela oposição dizendo
a todo momento que eu seria cassada. Também gerava instabilidade
no meio empresarial, pois como nós iniciaríamos um processo,
seja ele qual for, sem saber qual o destino que a cidade vai ter? Assim,
muitos deixaram de investir no município. Mas agora a nossa expectativa
é que essa relação será mudada.
JORNAL DA GENTE: Como vai ser então daqui
em diante?
Dra. Ruth: Itapevi tinha virado motivo de piada, a "novela
de Itapevi". Agora esse fato novo (a vitória no TSE) nos dá
mais serenidade para continuar a administração porque nós
tínhamos uma série de problemas em função
do processo. O ano passado foi terrível. Quando voltamos em julho,
a situação estava um caos. Então, colocamos a casa
em ordem. Eu costumo dizer que, apesar de já passarem um ano e
quatro meses (desde janeiro de 2005), estamos no décimo mês
de administração. Sinto que estou no primeiro ano de governo.
JORNAL DA GENTE: O que a Sra. pretende fazer
ainda neste ano?
Dra. Ruth: Bem, a Secretaria de Obras, que estava totalmente sucateada
e sem condições de trabalho, está sendo estruturada
e agora é uma nova Secretaria de Obras. Novas máquinas estão
chegando. Temos quatro e chegarão mais seis máquinas. O
ano passado nós investimos mais na Educação, que
também estava um caos, e que é uma área importantíssima,
é a base de tudo. Neste ano, além da Educação,
vamos investir pesado em obras de infra-estrutura.
JORNAL DA GENTE: O governo possui um planejamento?
A Sra. poderia citar algum projeto novo?
Dra. Ruth: Sim, temos planejamento e uma das ações
que iremos implementar na cidade é a Universidade Aberta do Brasil,
que deverá oferecer inicialmente 100 vagas para pessoas de baixa
renda cursarem uma faculdade à distância com aulas ministradas
por uma universidade federal.
JORNAL DA GENTE: Já existe um local para
a implantação dessa universidade?
Dra. Ruth: Sim, será na Escola Municipal Bemvindo (Moreyra
Nery, na Cohab 1). Em princípio haverá cursos da área
de informática e de administração de empresas.
JORNAL DA GENTE: Quem serão os parceiros
da Prefeitura?
Dra. Ruth: O programa Universidade Aberta é do governo federal,
portanto somos parceiros. Estamos preparando a estrutura para iniciar
como um prjeto-piloto. Após a experiência, poderemos ampliá-lo
JORNAL DA GENTE: E como a Sra. pretende resolver
o problema das filas nos postos de saúde e no Pronto Socorro Central
(SAMI)? Há falta de médicos?
Dra. Ruth: A fila no Pronto Socorro Central deve continuar por um tempo
pois está havendo atendimento duplo, uma vez que o Pronto Socorro
do Cardoso está passando por uma reforma e ampliação.
Quanto aos médicos, sempre houve falta desses profissionais, pois
muitos deles desistem do trabalho dada a distância de algumas unidades
de saúde, como Amador Bueno, por exemplo, e o seu local de origem,
geralmente São Paulo.
Então, estou buscando junto a outros órgãos de saúde
trazer mais médicos para a cidade. Outro motivo que levava médicos
a desistirem de trabalhar aqui era a falta de condições
de trabalho, com ambiente inadequado. Hoje, isso já está
mudando. Se tudo correr bem a reforma no Cardoso estará concluída
em três meses.
Uma observação: o prédio do pronto-socorro central
não foi projetado tecnicamente e profissionalmente para ser um
pronto-socorro. Não tem condições de receber as pessoas
adequadamente. É um labirinto que cria dificuldade no atendimento
e foi feito de forma amadora. O elevador é inadequado e a movimentação
de macas e equipamentos é dificultada pela falta de espaço
físico.
Por isso, temos um projeto para a construção de um novo
pronto-socorro tecnicamente perfeito (neste ponto da entrevista, Jaci
Tadeu explicou como se dará o acesso: estacionamento dos funcionários
separado do estacionamento dos usuários, localização
estratégica da unidade, proximidade à rodovia Castello Branco,
construção horizontal, entre outros).
Itapevi merece carinho e respeito. Então, se Deus quiser, eu vou
fazer esse pronto-socorro logo, logo.
JORNAL DA GENTE: A Sra. continua sendo a "médica
do povo", como era dito na campanha eleitoral?
Dra. Ruth: Foi a população que de forma carinhosa
começou a me chamar assim. Bem, depois que assumi a prefeitura
não pude mais continuar o meu trabalho de atendimento médico.
Para mim, é uma frustração, pois achava que seria
possível conciliar a administração pública
sem abrir do meu consultório. Não deu, o governo me toma
todo o tempo. Em compensação, enquanto não puder
trabalhar como médica quero trabalhar a saúde pública
como gestora e assim beneficiar um número muito maior de pessoas
naquilo que é um direito de todos.
JORNAL DA GENTE: Que lições a
Sra. tirou de todo esse episódio de cassação e das
denúncias contra o seu governo publicadas em jornais locais?
Dra. Ruth: Primeiro, é que eu aprendi o
caminho da Justiça. Tudo aquilo que for veiculado de forma injuriosa
e mentirosa contra mim ou meu governo será resolvido no âmbito
jurídico. Os problemas internos são resolvidos, como em
qualquer administração transparente e séria, por
meio de sindicância interna e, se comprovada a irregularidade, haverá
a punição do envolvido ou envolvidos.
Elioenai Piovezan é jornalista e professor de Língua
Portuguesa
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