PROFESSOR PAULINHO: "QUEREMOS FORMAR ALUNOS CIDADÃOS"


Por Elioenai Piovezan

Paulo Rogiério de Almeida, popularmente conhecido como Professor Paulinho, nasceu em Itapevi, é ex-vereador e atual secretário de Educação de Itapevi. Atua na rede estadual de ensino há 23 anos, inclusive como diretor de escola. Formado em Matemática e Direito, ao assumir a pasta da Educação, Professor Paulinho optou por se afastar temporariamente tanto do magistério quanto da advocacia para se dedicar à gestão de Educação.
Nesta entrevista, a décima da série PONTO DE VISTA, o secretário fala de atuação na Educação, analisa a Educação nacional e fala de planos.

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JORNAL DA GENTE: Como foi sua formação?
PROFESSOR PAULINHO: Antes de entrar na vida política e pública, tive uma formação técnica. O ginásio eu fiz no (EE Dr.) Raul Briquet e o colegial no CEI (EE Dr. José Neyde César Lessa). Depois cursei eletroeletrônica (TV e Rádio) no Senai e com pequenos consertos consegui pagar metade da Faculdade de Matemática, na Oswaldo Cruz. Os primeiros anos foram muito difíceis e de lá para cá vim me especializando na área de Educação. Sou professor da rede estadual de ensino desde 1984, hoje afastado dos cargos de professor e diretor de escola para gerenciar a Educação municipal.

JG: Como o Sr. entrou para a vida política partidária?
PAULINHO: Fui candidato pela primeira vez (a vereador) em 1992 e sem nenhuma experiência obtive 212 votos, só não fui eleito por apenas 22 votos. Como havia apoiado o candidato que se elegeu prefeito de Itapevi (João Caramez) e o candidato que se elegeu prefeito em Cotia (Dr. Airton), fui convidado a trabalhar em agosto de 1993 como diretor do Departamento de Obras daquela cidade, ficando no posto por 90 dias. Na seqüência fui presidente da Pró-Cotia até 1996. Naquele mesmo ano, já com mais contatos e mais amadurecido, consegui fui eleito vereador pelo PL.

JG: Como foi seu mandato de vereador?
PAULINHO: Foi um mandato democrático, pois até então o atendimento aos eleitores era muito escasso. Tivemos ações importantes para a cidade como a criação da Guarda Municipal Escolar. Fui um dos vereadores que mais apresentou emendas ao Orçamento Municipal em 1998, sendo 179. Alguns projetos de lei foram aprovados, entre eles o que proíbe jogos eletrônicos a menos de 500 metros de escolas. Fizemos na época uma Câmara forte, independente e justa.

JG: Por que o Sr. não foi reeleito vereador em 2000?
PAULINHO: Bem, em 2000, além de candidato a vereador, fui coordenador da campanha de Dra. Ruth (Banholzer) a prefeita, então minha campanha não teve o mesmo peso da anterior. Mesmo assim tive uma votação expressiva, não fui eleito por apenas 48 votos. E o PL que tinha 3 cadeiras ficou com apenas uma.

JG: Como é administrar uma verba de cerca de 33 milhões de reais (25% do Orçamento Municipal)? E o que já foi feito nesses meses de governo?
PAULINHO: Independentemente do valor do Orçamento, o importante é o comprometimento com aquilo que se quer fazer. O importante é gerir com democracia, transparência e imparcialidade. Estes são critérios fundamentais para que o dinheiro público volte em benefícios para a comunidade, que são, no meu caso, os alunos, os pais e os profissionais da Educação.

JG: O Sr. poderia destacar algumas ações nesses meses de governo?
PAULINHO: Entendo a Educação sempre como um meio, e não como um fim e muito menos como um começo. A Educação como um meio transforma as ações e faz com que uma equipe interaja com outros setores administrativos, como, por exemplo, a Promoção Social e Saúde. Mas o que mais nos encanta na Educação hoje é o projeto Inclusão Jovem, em que capacitamos os alunos do Ensino Médio para serem auxiliadores de professores nas salas de informática. Contamos com 140 jovens bolsistas e cada um recebendo R$ 350,00 por mês. Outro projeto é a Recreação pelo Movimento que no ano passado aconteceu em 16 escolas e hoje estendemos para 52 escolas. O projeto utiliza os espaços das escolas para desenvolver habilidades intelectuais e físicas das crianças e temos tido retorno positivo com um melhor aprendizado delas.
Destaco ainda o investimento em cursos de capacitação dos profissionais da rede de ensino, como o Letra e Vida, projeto em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, que forma 180 professores. Creio que esse tipo de formação crie uma situação uniforme na rede de ensino.
Fora isso, garantimos mais vagas, sendo 2.500, em 2005, e 3.700, em 2006. Hoje são 26.480 alunos matriculados e esse número deve chegar a 27.000 com as novas turmas do EJA (Ensino de Jovens e Adultos).
Vale mencionar que quando assumimos a Prefeitura o EJA funcionava em apenas duas escolas no período noturno e atendia 680 alunos. Hoje já são 14 escolas abertas e a alfabetização chega a 1.708 alunos, em diferentes bairros.

JG: Recentemente, a Câmara Municipal derrubou o veto da prefeita sobre lei que prevê a abertura de escolas nos fins de semana. Como o Sr. explica esse fato?
PAULINHO: Indiretamente, quando a comunidade solicita, as escolas já são abertas nos finais de semana, desde que haja um responsável pela unidade escolar. Os vereadores, por sua vez, não podem criar leis que vão significar despesas para o Poder Executivo, a não ser que seja uma Indicação. E a lei previa que funcionários fossem colocados à disposição nos finais de semana. Para tanto, precisaríamos pagar hora-extra e isto geraria despesa. A Prefeitura tem um limite prudencial e não podemos contratar mais pessoal. Reconheço que o projeto é muito bom e demonstra a preocupação dos vereadores com a cidadania. É importante que a comunidade tenha a escola como extensão de sua casa. Como a lei foi aprovada, ela agora deverá ser regulamentada. E na sua regulamentação é que nós veremos qual será o entendimento do (Departamento) Jurídico. De qualquer forma eu vejo que, tirando a questão financeira, é uma lei muito promissora.

JG: Como tem sido a distribuição da merenda escolar?
PAULINHO: A partir de um controle rigoroso na contabilidade e na distribuição da merenda junto com a empresa e a direção das escolas, de forma séria e transparente, obtivemos uma economia substancial. Em 2004, pagou-se R$ 7.748.767,00 pela merenda enquanto em 2005, nós gastamos R$ 6.213.705,00. Uma diferença de R$ 1.535.062,00. Se considerássemos esse número sem o reajuste no valor unitário da merenda, que foi de R$ 0,66 para R$ 0,87, a diferença na economia seria de cerca de R$ 3.000.000,00.
Com essa gestão, tivemos uma economia muito grande e foi possível investir, por exemplo, na compra de kits escolares e de veículos, sendo 3 microônibus, 2 vans, 2 peruas kombis, 1 pick up para transporte de equipamentos, 5 motocicletas, 2 gols para rondas para a Guarda Escolar e 1 gol para a Secretaria. Então conseguimos aparelhar e dar mais agilidade para a nossa Secretaria.

JG: Quais são suas metas de governo enquanto Secretaria de Educação?
PAULINHO: Temos uma parceria com o governo federal para a construção de novas escolas. Além disso, temos a UAB (Universidade Aberta do Brasil, de ensino superior à distância) que, se tudo correr bem, estará funcionando como núcleo de uma universidade federal em 2007. E conseguimos na FDE (Fundo de Desenvolvimento da Educação) plantas para a construção de novas escolas.
Hoje são 52 unidades de ensino, sendo 50 do município e duas compartilhadas com o Estado. Todas contam com diretores e coordenadores.
Nossa meta é a unificação do trabalho pedagógico da rede de ensino, para que nossos alunos definitivamente cheguem à conclusão do primário alfabetizados, críticos e, mais do que isso, cidadãos. Temos que garantir a elas a formação de cidadania, o respeito e o prazer pela leitura e pela escrita.

JG: Por que as escolas estão se tornando em CEMEBs - Centros Municipais de Educação Básica?
PAULINHO: Para que possamos, dentro da lei, ter no mesmo espaço escolar diversos níveis de ensino, do Infantil ao Médio, e até mesmo o ensino Superior. Hoje existe uma demanda reprimida (muita procura e poucas vagas) principalmente no Berçário e Maternal, e dependemos da aprovação do governo federal. A idéia é transformar as creches centrais em Maternal e Berçário apenas, porque estão mais próximas de meios de transporte como trem e ônibus, facilitando a vida dos pais, que precisam trabalhar. E as escolas mais distantes ficariam com Jardim I, II, Pré-Primário ou 1ª a 4ª série. Entendo que com a aprovação do Fundeb (Fundo para o Desenvolvimento da Educação Básica) construiremos novas unidades para a Educação Infantil.

JG: O que o Sr. espera das próximas eleições?
PAULINHO: Minha posição pessoal é de que houve grandes avanços na educação em nível nacional. Anteriormente, os governos se preocuparam em levar as universidades federais mais para o Nordeste. Enquanto que em São Paulo, que é o principal estado do Sudeste, só possui uma universidade federal, e que oferece poucos cursos.
O ProUni, do governo federal, é um projeto excelente, para aquele jovem que sai do Ensino Médio, sem perspectiva de trabalho e muito menos de ingressar numa universidade, é algo indiscutível.
A UAB vai dar um ganho municipal muito grande principalmente na região Sul do País, onde se está mais atualizado tecnologicamente. E Itapevi também deverá participar.
Então eu acho que do ponto de vista social o governo (Lula) vai muito bem. Veja os preços das cestas básica e de materiais de construção, que favorecem as classes mais pobres. O governo mostrou com isso, independentemente das questões políticas, que está no caminho certo. Se mudar agora começaria tudo de novo.
Mas é preciso descentralizar mais os recursos federais, a exemplo do Fundef,para que os municípios tenham condições de ampliar suas ações favorecendo muito mais as populações locais. Os municípios deveriam ter mais autonomia, mais poder fiscal e tributário, pois é no município que se sente mais a necessidade da educação, da saúde e do social.

JG: Quais são seus planos pessoais e políticos?
PAULINHO: Pretendo cumprir minha missão. Peço a Deus que me ilumine e dê paciência para vencer as adversidades. Não sou candidato a nada e quero ser um mero gestor administrativo e pedagógico. Vou continuar sendo um educador das nossas crianças, pois com certeza elas ocuparão nosso lugar futuramente. E se fizermos o nosso melhor, elas farão o melhor delas também. Até porque os governos passam, as ações ficam, e a gente precisa inovar, para que aqueles que vierem tenham um pouco mais de cidadania. Que os pais cobrem dos futuros governos aquilo que está sendo conquistado na nossa gestão, como o uniforme e uma melhor qualidade de ensino.

Elioenai Piovezan é jornalista e professor de Língua Portuguesa