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No fim dos anos 70, em plena ditadura militar, um colégio
em São Paulo se tornou um dos poucos pontos de resistência
cultural. No palco do Equipe se apresentavam artistas de peso da música
brasileira como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Clementina de Jesus e Cartola.
Com essa efervescência, foi natural que os jovens com interesses
artísticos acabassem se aproximando e criando espaços próprios.
Durante dois anos, os Titãs do Iê-Iê percorreram o
circuito underground paulista, se apresentando em lugares tão ecléticos
quanto o som que mostravam no palco. Não demorou muito para que
a performance do noneto despertasse a atenção de uma gravadora.
Em 1985, os Titãs entraram em estúdio para gravar seu LP
"Televisão", produzido por Lulu Santos, chegou às
lojas em junho daquele ano e emplacou os hits "Insensível"
e "Televisão".
"Cabeça Dinossauro", lançado em junho de 1986,
foi um soco no estômago da hipocrisia com suas letras contundentes.
O álbum, que marcava a estréia da parceria com o produtor
Liminha, pela primeira vez traduzia no vinil a pegada que a banda tinha
ao vivo. Além de "Aa Uu", "O Quê", "Homem
Primata", "Família" e "Polícia",
algumas rádios se davam ao luxo de pagar multa para tocar "Bichos
Escrotos", que tinha a radiodifusão proibida pela censura.
"Cabeça Dinossauro" bateu a marca das 300 mil cópias
vendidas e caiu nas graças da crítica.
Com o Brasil aos seus pés, o grupo partiu para a estréia
internacional. Os Titãs foram os primeiros artistas do país
a se apresentarem na Noite de Rock do badalado Festival de Jazz de Montreux.
Do show, no dia 8 de julho de 1988, eles trouxeram o LP "Go Back",
o primeiro ao vivo da carreira da banda.
Em outubro de 1989, os Titãs lançaram seu disco mais sofisticado
até então. "Õ Blesq Blom" reunia a simplicidade
dos repentistas Mauro e Quitéria, descobertos pelo grupo na Praia
da Boa Viagem, à modernidade das parafernálias eletrônicas
de estúdio.
Depois de um disco tão elaborado, os Titãs começaram
a sentir falta do bom e velho rock'n'roll. E o disco "Tudo Ao Mesmo
Tempo Agora", que chegou às lojas em setembro de 1991, serviu
para matar essa saudade.
Os Titãs não abandonaram o rock pesado no trabalho seguinte.
"Titanomaquia", primeiro álbum da banda sem Arnaldo Antunes
- que deixou o grupo para se dedicar à carreira solo -, teve como
ingrediente a mais a produção de Jack Endino, responsável
por discos da turma grunge, como Nirvana, Mudhoney e Tad
No segundo semestre de 1994, ao fim da turnê de "Titanomaquia",
os Titãs decidiram pela primeira vez tirar um ano de férias
para que cada um pudesse tocar seus projetos paralelos.
A folga acabou em 95, com o lançamento do álbum. "Domingo".
O segundo trabalho do grupo com Jack Endino, veio bem mais pop do que
os dois trabalhos anteriores e contou com participações
especiais de Herbert Vianna, João Barone, Andreas Kisser e Igor
Cavalera.
Na comemoração dos 15 anos de carreira da banda, os Titãs
lançaram mais um disco histórico. O "Acústico
MTV", gravado em março de 1997 no Teatro João Caetano,
no Rio de Janeiro, vendeu mais de 1,7 milhão de cópias,
batendo todos os recordes do formato. Depois de fazerem mais de 300 shows
pelo Brasil acompanhados de orquestra, os Titãs decidiram repetir
a dose no álbum seguinte. "Volume 2", lançado
em outubro de 1998, trazia mais músicas antigas com arranjos acústicos,
mas também outras novidades. Além da música de trabalho
"É Preciso Saber Viver", uma regravação
de Roberto Carlos, o álbum tinha seis canções inéditas.
Em 2001, os Titãs sofrem um golpe duro. Em 11 de junho, um dia
antes de a banda entrar em estúdio para gravar o 13º. álbum
da carreira, o guitarrista Marcelo Fromer foi atropelado por uma moto
em São Paulo e morreu dois dias depois.
Em novembro de 2003, os Titãs lançam seu 14` CD, "Como
estão vocês?", que traz de volta uma dobradinha que
deu certo: Liminha assina a produção. Com um som bem rock`n
roll, que consagrou o grupo, os Titãs emplacam de cara nas rádios
"Eu não sou um bom lugar" e tem "Enquanto houver
sol" incluída na trilha sonora da novela "Celebridade".
Este ano, a banda foi agraciada com a escolha de uma música sua,
"Epitáfio", escolhida por Parreira para ser usada nas
preleções da seleção brasileira durante a
Copa do Mundo.
Marco Guilherme é professor de Informática e músico
(marcao2005@uol.com.br)
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