Jornal da Gente, agora com
novo projeto gráfico, completa 8 anos

Por Elioenai Piovezan


Lembro-me como se fosse hoje: o Nunciato chegou em casa com uma publicação especial sobre o Binômio, o jornal ancestral do Pasquim, que deu muita dor de cabeça aos políticos mineiros, na década de 50. Era de noite, creio que novembro de 1998. Sentamos e analisamos páginas e páginas, a irreverência, a pontualidade na crítica, a democracia no trato jornalístico, enfim, era o nosso modelo. Ah, mas faltava um nome para o nosso jornal. Combinamos de anotar vários nomes numa folha de papel. Assim foram relacionados mais de 30 propostas. O Jornal da Gente foi como amor à primeira vista. Pronto. Agora o projeto gráfico, as matérias e o mais importante para que ele nascesse de fato: dinheiro para imprimir.
Pacientemente, o bancário apaixonado por comunicação explicou um plano de metas para manter o jornal funcionando e ainda sobrar um pouco para os sócios... Pois bem, saímos às ruas de Itapevi e captamos anúncios. Naquele ano, havia uma certa hegemonia do jornal Itapevi Agora.
Visitávamos os comerciantes e empresários com um boneco do jornal e apresentávamos o objetivo de ter na cidade uma linha editorial que se diferenciasse da linha oficialesca da imprensa local.
Em fevereiro de 1999, com tudo pronto, fechamos a 1ª edição. A manchete: “CDHU: sonho ou pesadelo?”. Foi um choque. Disseram na época que houve até apreensão do jornal (informação nunca confirmada) por alguém muito devoto a um cacique político da cidade. A reportagem tratava das dificuldades que os primeiros moradores dos apartamento da CDHU na Vila Gióia estavam encontrando. Falta de estrutura, ruas sem iluminação, falta de água, telefonia, asfalto, serviços de correio, enfim, as unidades foram entregues no ano anterior pouco antes das eleições para governador e deputados estaduais (além de presidente, senadores.e deputados federais).
O Jornal da Gente era então mensal e as edições traziam sempre uma reportagem especial na capa.
Ainda em 1999, o JG passou a ser quinzenal e aos poucos foi conquistando espaço.
Vieram as eleições de 2000. O Jornal cobriu de forma imparcial, realizou entrevistas com candidatos e manteve a população informada.
Então, o velho amigo Nunciato decide deixar o Jornal. Assumem a direção Plínio e Cinthia. O primeiro, apaixonado por comunicação mas que virou advogado... Ele delirava a cada edição, principalmente aquelas que mexiam com políticos da cidade. A segunda, a ex-líder estudantil Cinthia que viria descobrir mais tarde uma quedinha por comunicação, e hoje cursa Multimeios na PUC.
Assim entre altos e baixos, com fiéis colaboradores e anunciantes, o Jornal da Gente manteve sua linha jornalística ética, cidadã e democrática.
Em 2005, o estudante de Publicidade, Fagner Schultz, assume a direção do Jornal junto com Cinthia, e faz uma revolução visual, aplicando parte do que aprendera em horas e horas de curso e leitura.
Eu, que além de jornalista, divido um tempinho com alunos da rede estadual para debatermos a Língua Portuguesa (e acho outro tempinho para fazer assessoria de imprensa ediagramação, achei a mudança excelente.
O ideal seria um jornal semanal, com uma tiragem maior, talvez colorido... Mas isso está se desenhando.
Por ora, vamos comemorar os oito anos de nosso jornal. O agradecimento é a todos vocês, leitores, que nosacompanham fielmente, com elogios ou críticas. Vamos de mãos dadas...

Elioenai Piovezan é jornalista, assessor de imprensa e professor de Português da rede estadual